Robô Humanoide Chinês Enfrenta Barreira nos EUA
Robô humanoide chinês Iron da XPeng mira mercado dos EUA em 2027, mas enfrenta barreiras de segurança nacional impostas por Washington.

A XPeng, empresa chinesa de tecnologia, projeta iniciar a comercialização de seu robô humanoide, o Iron, no mercado americano no próximo ano, após o início da produção em massa do modelo no final de 2026. A companhia pretende usar a CES (Feira de Eletrônicos de Consumo), que ocorrerá em Las Vegas entre 6 e 9 de janeiro de 2027, como vitrine para apresentar sua inovação ao público norte-americano.
O Iron tem sido um destaque no setor de robótica humanoide na China, elogiado por seu design avançado e a fluidez de seus movimentos. No entanto, o ambicioso plano de expansão da XPeng pode se deparar com um obstáculo significativo: a crescente preocupação do governo dos EUA com a segurança nacional, que tem levado a restrições à entrada de produtos tecnológicos chineses no país.
Essa política de contenção já afetou outros setores, como o de carros elétricos, que viram tarifas de importação aumentarem consideravelmente em janeiro do ano passado. Além de barreiras alfandegárias, empresas chinesas como BYD, Huawei e Tencent já figuram em listas de restrição comercial, indicando uma postura mais rigorosa de Washington.
O cenário regulatório se adensa com a possibilidade de novas medidas. Uma reportagem do site Politico, publicada em 23 de junho, aponta que o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, está revisando as regras de importação para robótica chinesa. A intenção é frear a ascensão de modelos fabricados na Ásia, especialmente aqueles subsidiados pelo governo chinês, com o objetivo de evitar que empresas americanas sejam superadas em um mercado em rápida expansão.
A XPeng está ciente dos riscos, mas deposita confiança na qualidade e no apelo humanoide de seu robô. O Iron foi projetado para ser um companheiro, com movimentos que simulam a naturalidade humana, a ponto de a empresa ter divulgado vídeos em novembro de 2025 para provar que não havia um humano dentro do traje. Este modelo se diferencia de outros no mercado, como os da Unitree, que são menores e com um visual mais explicitamente robótico.
A empresa já está investindo na infraestrutura necessária, com a construção de uma fábrica em Cantão dedicada à produção exclusiva do Iron. A expectativa é que a linha de produção seja ativada entre outubro e novembro de 2026, preparando o terreno para a futura chegada do robô ao mercado internacional, caso as barreiras regulatórias sejam superadas.