China Acelera Produção de Materiais para Chips e Desafia Japão
Fabricantes chinesas de materiais para chips investem bilhões e aceleram produção para competir com Japão em mercado de US$ 73 bilhões, buscando autossuficiência em semicondutores.

A China intensifica sua estratégia de autossuficiência em semicondutores com um avanço significativo na produção de materiais essenciais para a fabricação de chips. Empresas chinesas estão expandindo sua capacidade e desenvolvendo tecnologias de ponta para competir diretamente com os tradicionais líderes de mercado japoneses, em um setor avaliado em US$ 73,2 bilhões.
Um exemplo notável é a Guangyuan New Material, que iniciou o envio de seu "T-glass", um material crucial para a embalagem de chips de inteligência artificial. Este composto, resistente à expansão térmica, visa atender à crescente demanda por processamento de dados de alta velocidade. A empresa, que já detém patentes próprias e investiu 6,8 bilhões de yuans (US$ 1 bilhão) em uma nova fábrica na província de Henan, busca desafiar o domínio da japonesa Nittobo neste segmento.
Outra gigante chinesa, a Shengyi Technology, maior produtora de laminados revestidos de cobre para placas de circuito impresso, está investindo cerca de 5,2 bilhões de yuans em uma nova unidade em Guangdong, com previsão de início de operações em 2028. A fábrica focará em produtos de alto desempenho para servidores de IA e veículos elétricos, mercados onde empresas de Taiwan e Japão têm forte presença. A Shengyi também expande sua atuação internacional com uma fábrica na Tailândia.
O impulso chinês se estende a outros componentes cruciais. A Konfoong Materials International, líder em volume de alvos de pulverização catódica, investirá 350 milhões de yuans em uma fábrica na Coreia do Sul para abastecer fabricantes locais como SK Hynix e Samsung. Embora a Konfoong lidere em volume, a japonesa JX Advanced Metals ainda domina o segmento de alto valor agregado.
No mercado de fotorresistentes, onde empresas japonesas como Tokyo Ohka Kogyo e JSR detêm 80% de participação, o Grupo Red Avenue New Materials, um player chinês, busca capitalização em Hong Kong. A empresa aposta em pesquisa e desenvolvimento próprios para competir neste nicho.
Apesar dos avanços, fontes do setor indicam que as empresas chinesas ainda enfrentam uma defasagem de dois a três anos em relação aos concorrentes japoneses em termos de taxas de rendimento e tecnologias de produção. No entanto, o forte apoio governamental e os investimentos massivos sinalizam uma corrida acirrada para alcançar e superar os líderes globais nos próximos anos, impulsionando o mercado chinês a um crescimento de 13%.
A competição acirrada e os investimentos bilionários refletem a importância estratégica da China em se tornar autossuficiente na cadeia de suprimentos de semicondutores, um movimento com implicações globais para a indústria de tecnologia e para a economia mundial.