PF Surpreendida com Fuga de "Doleiro Moderno" Após Sanções dos EUA

Polícia Federal foi surpreendida pela fuga de Victor Shimada, suspeito de lavar dinheiro do tráfico internacional, após sanções dos EUA. Operação buscou desarticular rede criminosa que movimentou R$ 156 milhões.

PF Surpreendida com Fuga de "Doleiro Moderno" Após Sanções dos EUA

A Polícia Federal (PF) admitiu ter sido pega de surpresa pela fuga do empresário Victor Shimada, principal suspeito de operar uma vasta rede de lavagem de dinheiro para o tráfico internacional de drogas. Shimada, que já vinha sendo monitorado pelas autoridades, desapareceu após os Estados Unidos anunciarem sanções contra ele na última quarta-feira (1º).

## Operação Exchange e a Fuga do Alvo Principal

Shimada era um dos alvos centrais da Operação Exchange, deflagrada nesta sexta-feira (3) com o objetivo de desmantelar a organização criminosa. No entanto, ele não foi localizado durante as ações e agora é considerado foragido. A operação, autorizada pela Justiça em 2 de junho, estava em fase de planejamento detalhado quando as sanções americanas foram divulgadas, um evento que, segundo fontes da PF, acelerou a evasão do suspeito.

Investigações apontam que Victor Shimada atuava como um "doleiro moderno", utilizando mais de 70 empresas para movimentar fundos ilícitos do tráfico. Ele é sócio de empresas como a Victory Trading e a Avenidas Flutuantes Unipessoal, esta última com sede em Portugal, ambas diretamente afetadas pelas sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) dos EUA. Essas sanções implicam o bloqueio de bens nos Estados Unidos e de quaisquer empresas onde os alvos possuam participação majoritária.

## Conexões Internacionais e com o PCC

Os Estados Unidos classificaram Shimada como um "elo-chave" entre membros do PCC (Primeiro Comando da Capital) na Flórida e traficantes internacionais. O governo americano o acusa de ter lavado mais de US$ 30 milhões (aproximadamente R$ 156 milhões) em recursos ilícitos, muitos deles originados em cidades americanas e transferidos ao Brasil via criptomoedas em nome da facção. Além disso, ele é investigado por outros crimes financeiros.

A PF também apura a suspeita de envolvimento de Shimada em operações de lavagem de dinheiro ligadas ao caso VaideBet, que investiga desvios de fundos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas. A dificuldade em localizar o empresário já era um indicativo de sua movimentação.

## Sanções e o Impacto na Rede Criminosa

As sanções impostas pelos EUA visam isolar financeiramente os indivíduos e organizações envolvidos em atividades ilícitas. Para Shimada e suas empresas, isso significa o congelamento de ativos e a proibição de transações com entidades americanas. O governo americano busca, com essas medidas, descapitalizar organizações criminosas e pressionar seus operadores.

A Operação Exchange, além de buscar a prisão de Shimada, cumpriu até o momento sete dos onze mandados de prisão temporária expedidos. Entre os detidos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, secretária de Shimada e também alvo das sanções americanas. Segundo a PF, Shimada e Stella utilizavam apelidos, como "Japa" e "Lara Croft", para dificultar o rastreamento de suas comunicações. Stella era responsável pela coleta e movimentação de valores, enquanto Shimada intermediava as transações com o PCC.

A Justiça também autorizou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados, com um montante estimado em R$ 10,4 bilhões, demonstrando a magnitude da operação financeira ilícita desarticulada.