PF prende nove por tortura e venda de vídeos de bebês e animais
Nove pessoas foram presas pela PF suspeitas de torturar bebês e animais, gravar e vender vídeos na internet. Dois militares estão entre os detidos. A investigação apura um esquema financeiro com gravações cruéis.

A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação nesta quinta-feira (2) que resultou na prisão de nove indivíduos suspeitos de envolvimento em crimes de tortura contra crianças e maus-tratos a animais, com a posterior comercialização dos vídeos na internet. As investigações, que se iniciaram a partir da análise do celular de um dos investigados, revelaram um esquema com propósito financeiro, onde as gravações eram feitas mediante pagamento.
## Esquema financeiro e crueldade
As prisões ocorreram nas cidades de Bagé, Candiota e Canoas, no Rio Grande do Sul, onde foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e nove de prisão preventiva. As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Bagé, com a prisão preventiva decretada por 30 dias. Segundo as apurações, não houve mortes de crianças ou animais relacionadas aos fatos. A investigação aponta para episódios reiterados de violência física e psicológica, envolvendo sufocamento e asfixia, sem indícios de motivação sexual. Cerca de 80 vídeos foram encontrados no celular de um dos suspeitos, com vítimas que incluem dois bebês, uma criança e um adolescente.
## Militares envolvidos e colaboração do Exército
Entre os detidos, dois são militares do Exército Brasileiro. Em nota, a corporação informou que os envolvidos prestaram serviço militar obrigatório e não estavam em atividade no momento dos crimes investigados, que teriam ocorrido em contexto particular. O Exército reiterou que prestará toda a colaboração necessária às investigações e que instaurará procedimento interno próprio. A PF destacou que os responsáveis legais das vítimas identificadas não tinham conhecimento das práticas, e a apuração sobre a situação familiar será aprofundada.
## Origem da investigação e penas
A investigação teve um início inesperado durante outra operação no ano passado, quando a PF apreendeu o celular de um investigado e encontrou material que desencadeou a nova apuração. Os suspeitos poderão responder por imposição intencional de sofrimento físico ou mental contra crianças ou adolescentes, maus-tratos a animais e organização criminosa. O conteúdo gravado pode ter sido comercializado com usuários em diversas partes do país através de plataformas digitais.