Pesquisadora questiona plano de segurança de Flávio Bolsonaro
Pesquisadora critica plano de segurança de Flávio Bolsonaro, argumentando que encarceramento em massa falha em reduzir crime e fortalece facções. Defende inteligência e ataque às estruturas financeiras do crime.

Um plano de segurança pública apresentado pelo senador Flávio Bolsonaro para a campanha presidencial de 2026, que inclui construção de novos presídios e endurecimento de penas, é questionado pela pesquisadora Carolina Grillo. Segundo ela, a insistência em políticas de encarceramento em massa, já adotadas por décadas no Brasil, não tem demonstrado eficácia na redução da criminalidade organizada.
Grillo aponta que o aumento expressivo da população carcerária, de cerca de 90 mil nos anos 90 para mais de 900 mil atualmente, não se traduziu em um país mais seguro. Ela argumenta que a percepção de que penas mais severas dissuadem criminosos não encontra respaldo científico, pois criminosos não agem, em geral, por cálculo racional.
A especialista ressalta que o próprio sistema penitenciário, ao concentrar detentos, contribuiu para o fortalecimento de facções como o PCC e o Comando Vermelho. Para ela, o combate eficaz ao crime organizado exige inteligência focada nas estruturas econômicas e conexões com a economia formal, em vez de apenas repressão.