Mulher queimada em Maceió: Vítima nunca denunciou agressões

Vítima de tentativa de feminicídio em Maceió nunca denunciou agressões. Delegada explica que falta de queixas formais impediu proteção policial preventiva.

Mulher queimada em Maceió: Vítima nunca denunciou agressões

A gravidade do caso de Ana Paula de Oliveira da Silva, 43 anos, que teve 90% do corpo queimado pelo companheiro em Maceió, está diretamente ligada à ausência de denúncias formais às autoridades. Segundo a delegada Ana Luiza Nogueira, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher 2 (DEAM 2), a falta de registros policiais e de pedidos de medidas protetivas impediu que a vítima recebesse proteção antes do ataque extremo.

## Subnotificação em Foco

Familiares relataram um histórico de violência no relacionamento, mas a vítima jamais oficializou os abusos. A delegada Nogueira destacou que a situação expõe um grave problema social: a subnotificação da violência doméstica. Ela ressaltou que muitos agressores mantêm uma fachada de normalidade em público, restringindo a violência ao âmbito familiar, o que torna essencial o acionamento da polícia pelos próprios envolvidos ou por testemunhas.

## Mecanismos de Proteção Bloqueados

Nogueira enfatizou que a eficácia da estrutura de segurança pública depende da formalização das ocorrências. Somente com o conhecimento oficial dos fatos as delegacias podem acionar os mecanismos legais para proteger as mulheres antes que as ameaças se transformem em tragédias. O suspeito do crime segue preso, autuado em flagrante por tentativa de feminicídio, mas a falta de denúncias prévias limitou as ações preventivas do Estado.

O caso serve como um doloroso lembrete da importância de denunciar e buscar ajuda em casos de violência doméstica, ressaltando a necessidade de encorajar vítimas a romper o silêncio e acionar as autoridades para garantir sua segurança.