Mulher é incendiada viva em tentativa de feminicídio em Alagoas

Mulher de 43 anos é vítima de tentativa de feminicídio após ser incendiada viva em Alagoas. Com 90% do corpo queimado, ela luta pela vida na UTI. Companheiro é principal suspeito.

Mulher é incendiada viva em tentativa de feminicídio em Alagoas

Uma brutal tentativa de feminicídio chocou Alagoas na última sexta-feira (26), quando Ana Paula de Oliveira da Silva, de 43 anos, foi levada à força para uma área de mata, teve o corpo incendiado e rastejou por centenas de metros em busca de socorro. A vítima está internada em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral do Estado (HGE), com 90% do corpo atingido pelas chamas.

O companheiro da vítima, Carlos Henrique dos Santos, é apontado pela Polícia Civil como o principal suspeito do crime. Segundo relatos das filhas de Ana Paula, a violência teria sido motivada pela recusa do suspeito em aceitar o fim do relacionamento. Ana Paula havia decidido encerrar a relação após anos de traições por parte do companheiro, que, segundo as filhas, também a agredia verbalmente.

## Violência premeditada e cruel

As filhas relataram episódios de violência anteriores, incluindo uma agressão física ocorrida na semana anterior ao incêndio. De acordo com elas, Ana Paula já havia sido espancada pelo suspeito, que teria tentado arrancar pedaços do corpo dela com os dentes. A suspeita é que o crime tenha sido premeditado, com o companheiro comprando gasolina antes de cometer o ato.

Após arrastá-la pelos cabelos e atear fogo ao corpo, o suspeito teria abandonado Ana Paula agonizando na mata. A vítima, em um ato de extrema resiliência, rastejou até uma pista, onde conseguiu pedir ajuda e foi socorrida. Relatos das filhas indicam que a língua de Ana Paula também teria sido arrancada durante a brutalidade, aumentando o desespero da família.

## Feminicídio: um crime de ódio

Paula Mendes, diretora da Casa da Mulher Alagoana, ressaltou que a violência contra a mulher se manifesta de diversas formas, mas que o feminicídio, em suas variadas apresentações, representa o ápice do ódio e do desprezo pela vida feminina. Ela enfatizou que tentativas de feminicídio demonstram a intenção de controlar e aniquilar a autonomia da mulher, negando-lhe o direito fundamental de existir e decidir sobre sua própria vida.