Doleiro Foragido Movimentou R$ 10,4 Bilhões em 7 Países

PF investiga empresário foragido que teria movimentado R$ 10,4 bilhões em lavagem de dinheiro do tráfico em 7 países, usando rede de empresas e métodos de ocultação.

Doleiro Foragido Movimentou R$ 10,4 Bilhões em 7 Países

A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Exchange, que desarticulou uma complexa rede transnacional de lavagem de dinheiro, supostamente ligada ao tráfico de drogas. O principal alvo da investigação é o empresário Victor Shimada, também conhecido como 'Bryan Willians', que está foragido e já é alvo de sanções dos Estados Unidos. A organização criminosa teria movimentado impressionantes R$ 10,4 bilhões em operações financeiras que se estenderam por, pelo menos, sete países.

As investigações da PF revelaram que Shimada operava como um 'doleiro' internacional, intermediando transações financeiras em diferentes geografias. Mensagens e planilhas apreendidas pela corporação detalham operações em cidades dos Estados Unidos, como Houston, Chicago e Los Angeles, além de atividades em Portugal, Paraguai, Argentina, Panamá e Colômbia. Os documentos indicam movimentações que somam US$ 7,54 milhões, evidenciando a coleta sistemática de dinheiro em espécie e a utilização de estruturas financeiras para ocultar a origem ilícita dos recursos.

## Rede de Contatos e Operações Internacionais

A estrutura investigada contava com mais de 70 empresas vinculadas ao esquema. Familiares e colaboradores próximos de Shimada também foram identificados como peças-chave na operação. Sua prima, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, foi presa e é apontada pela PF como participante na coordenação de operações internacionais, incluindo remessas com o codinome 'Lisboa'. O tio de Shimada, Amauri Henrique de Oliveira, e o operador financeiro Carlos Henrique Costa Almeida também são citados na investigação.

Em Portugal, Almeida teria atuado na custódia e entrega de centenas de milhares de euros, além de negociar a compra e venda de moeda estrangeira para brasileiros. No Paraguai e na Argentina, as tratativas envolviam câmbio paralelo, com propostas de operações em Assunção e Buenos Aires, utilizando o chamado 'dólar blue' para a conversão de valores.

## Métodos de Ocultação e Rastreamento

Para dificultar o rastreamento das atividades ilícitas, a organização utilizava diversas ferramentas sofisticadas. Criptomoedas, empresas de fachada, telefones não registrados e aplicativos de comunicação criptografada, como Signal e Telegram, eram empregados para manter o sigilo das operações. A PF aponta que Shimada liderava o núcleo financeiro, utilizando empresas como Victory Trading, Transborder Import and Export, Pixwave Soluções de Pagamentos e GP8 Pay para movimentar os recursos.

A investigação demonstra a capacidade da rede em operar em múltiplas jurisdições, utilizando tanto o fluxo financeiro formal quanto o informal para lavar o dinheiro do tráfico. A atuação em diferentes países evidencia a complexidade e o alcance global das operações, desafiando as autoridades na contenção de crimes transnacionais.