África do Sul: Xenofobia força 25 mil a fugir de protestos
Tensão e medo tomam conta da África do Sul com protestos xenófobos que forçam milhares de migrantes a fugir e buscar repatriação ou refúgio.

A polícia da África do Sul intensificou o policiamento nesta terça-feira (data não especificada no texto original) em resposta a manifestações anti-imigração, impulsionadas por grupos de cidadãos que exigiam a saída de estrangeiros do país. A campanha, marcada por um forte viés xenófobo, já teria forçado aproximadamente 25 mil pessoas a deixarem suas casas e buscassem refúgio ou repatriamento.
Grupos organizados, frequentemente vistos portando bastões e escudos tradicionais da etnia Zulu, anunciaram diversas manifestações. A ação instaurou um clima de apreensão entre a população migrante, que é frequentemente acusada de usurpar empregos de cidadãos sul-africanos, entre outras críticas. Dados oficiais indicam que cerca de 3 milhões de estrangeiros residem no país, representando aproximadamente 5,1% da população total.
## Migrantes buscam abrigo e consulados
Em grandes centros urbanos como Durban (leste), Cidade do Cabo (sul) e Joanesburgo, muitos estrangeiros procuraram refúgio em acampamentos improvisados para pessoas deslocadas ou se aglomeraram em frente a consulados de seus países de origem. Relatos descrevem a busca por segurança como uma medida drástica diante da escalada da hostilidade.
Em Durban, manifestantes vestidos com trajes zulus e armados com paus e escudos foram vistos em um parque, entoando o cântico "abahambe", que significa "Deixem-nos ir". Um dos participantes, Selwyn Anderson, de 64 anos, expressou a crença de que estrangeiros em situação irregular controlam grande parte dos pequenos negócios do país, justificando a necessidade de sua saída.
## Violência e temor de ataques
Nas últimas semanas, ao menos quatro mortes foram registradas em episódios de violência anti-imigrante, com vítimas de Moçambique, Etiópia e Malauí. Governos de nações africanas já organizaram repatriações para seus cidadãos.
Peter Madsoan, 45 anos, do Malauí, relatou à imprensa sua decisão de deixar o país para evitar ser atacado. "É melhor ir embora do que morrer na África do Sul", declarou o pedreiro, que é o principal provedor de sua família em seu país natal. A apreensão aumentava à medida que se aproximava o prazo, estabelecido pelos grupos de cidadãos, para a saída de migrantes.
## Fuga em massa e incerteza
Milhares de pessoas, majoritariamente de Malauí e Zimbábue, concentraram-se na Cidade do Cabo e em Joanesburgo, na esperança de embarcar em ônibus de repatriação. Relatos indicam que muitos foram expulsos de suas moradias pelos proprietários ou demitidos por empregadores, sob o receio de multas ou ataques de grupos de vigilância. Evelyn Chinooneka, 29 anos, do Zimbábue, aguardava com seu bebê do lado de fora do consulado de seu país na Cidade do Cabo, relatando as dificuldades enfrentadas, incluindo a falta de abrigo adequado e a moléstia das roupas devido à chuva.
A líder do grupo antimigração "March and March", Jacinta Ngobese-Zuma, havia advertido anteriormente sobre uma "marcha nacional" prevista para 30 de junho, com o objetivo de deportar todos os estrangeiros em situação irregular. Apesar de negar que o grupo convoque a violência, suas declarações contribuem para o clima de tensão.