Uso popular banaliza termo 'gatilho' na psicologia

Especialistas criticam o uso banal da palavra 'gatilho', que perde seu significado psicológico original ligado a traumas e flashbacks, sendo agora usada para descrever aborrecimentos comuns.

Uso popular banaliza termo 'gatilho' na psicologia

O uso frequente e popular da palavra 'gatilho' tem levado à distorção de seu significado original na psicologia, alertam especialistas. Originalmente associado a traumas profundos e à capacidade de evocar 'flashbacks' de eventos avassaladores, o termo agora é empregado para descrever desde aborrecimentos cotidianos até lembranças desagradáveis.

Psicólogos como Rachel Needle e Yael Schonbrun apontam que essa banalização pode minimizar a experiência de pessoas que sofreram traumas reais, ao equiparar experiências traumáticas com meros incômodos. Embora a popularização de termos psicológicos possa reduzir o estigma, o uso excessivo corre o risco de deturpar a gravidade de transtornos de saúde mental.

Na prática clínica, 'gatilho' refere-se a uma pista ou experiência que pode desencadear um 'flashback', uma revivência involuntária de um evento traumático. A terapia de exposição visa ajudar os pacientes a superarem essa associação, aprendendo a não temer mais esses estímulos. A apropriação popular, no entanto, confunde essas reações intensas com reações a situações corriqueiras.