Saúde bucal ligada à memória: estudo aponta risco para o cérebro

Estudo aponta que periodontite e perda de dentes se associam ao encolhimento do hipocampo, área cerebral vital para a memória e ligada ao Alzheimer.

Saúde bucal ligada à memória: estudo aponta risco para o cérebro

Uma nova pesquisa publicada na revista científica "Neurology" lança luz sobre a íntima relação entre a saúde bucal e a saúde cerebral, especialmente no que diz respeito à memória e ao risco de demência. O estudo sugere que a periodontite, conhecida como doença das gengivas, e a perda de dentes podem estar associadas ao encolhimento do hipocampo, uma área do cérebro fundamental para a formação e consolidação de memórias e que é uma das primeiras a ser afetada pela doença de Alzheimer.

Os pesquisadores, liderados por Satoshi Yamaguchi, professor da Universidade Tohoku, no Japão, destacam que, embora não se possa afirmar categoricamente que a má saúde oral cause demência, os achados indicam uma forte correlação entre as condições. A velhice, em particular, agrava a periodontite, levando à retração gengival e à perda dentária. Essa condição bucal pode criar um ambiente propício para a proliferação de agentes inflamatórios que, ao entrarem na corrente sanguínea, podem atingir o cérebro e desencadear processos prejudiciais.

## A pesquisa e seus achados

O estudo acompanhou cerca de 1.400 participantes com idade média de 67 anos no início da pesquisa, todos sem distúrbios de memória prévios. Eles passaram por exames odontológicos e ressonâncias magnéticas para avaliar o volume do hipocampo. Quatro anos depois, uma nova avaliação revelou que a presença de periodontite, de moderada a severa, e a perda de dentes estavam diretamente ligadas a alterações no hipocampo.

## Prevenção e exemplos

Diante dessa conexão, a importância de cuidados odontológicos regulares se torna ainda mais evidente. Um exemplo de iniciativa que busca abordar essa questão é um projeto ambicioso em Israel, que visa oferecer atendimento odontológico completo a todos os idosos com mais de 65 anos, incluindo tratamentos para a gengiva, canal e implantes. A ideia é recuperar a saúde bucal dessa população, potencialmente mitigando riscos futuros para a saúde cognitiva.

## Contexto da saúde do idoso

A pesquisa sobre a saúde bucal se insere em um contexto mais amplo de cuidados com o envelhecimento. Outros estudos, como um da Universidade de Cambridge sobre sedentarismo em idosos, demonstram que a redução da atividade física também impacta negativamente a qualidade de vida e aumenta o risco de diversas enfermidades. Manter-se ativo, mesmo que com pequenas pausas para se levantar de períodos prolongados sentado, traz benefícios significativos para a saúde geral e pode complementar os cuidados com a saúde bucal na promoção do bem-estar na terceira idade.