Einstein: SUS é essencial para hospital ir além de 'boutique'

Presidente do Einstein, Sidney Klajner, afirma que o SUS é crucial para o hospital ir além de um "hospital boutique", expandindo sua atuação e qualificando profissionais para alta complexidade.

Einstein: SUS é essencial para hospital ir além de 'boutique'

O presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, Sidney Klajner, ressaltou a importância fundamental do Sistema Único de Saúde (SUS) para a evolução da instituição. Segundo Klajner, a colaboração com o SUS impede que o Einstein se restrinja a um "hospital boutique", focado em um público restrito, e permite sua expansão para um atendimento em larga escala.

A declaração, feita em antecipação aos 25 anos de parceria entre o Einstein e o SUS em 2026, sublinha que a missão do hospital "estaria muito incompleta" sem a integração com o sistema público. Ele explicou que o volume de atendimentos de alta complexidade oferecido pelo SUS aprimora continuamente os profissionais da instituição.

## Impacto no Setor Privado

A parceria com o SUS funciona como um laboratório de validação e treinamento para o setor privado. A necessidade de gerenciar a alta demanda e a complexidade de casos do sistema público impulsiona a eficiência gerencial e a adaptação de soluções, tanto assistenciais quanto digitais e organizacionais. Essas inovações, desenvolvidas para o SUS, podem ser posteriormente incorporadas à rede particular.

O Einstein utiliza essa operação para aprimorar competências em cenários críticos, gerando dados clínicos robustos que fomentam pesquisas e o desenvolvimento de novos tratamentos. Claudio Lottenberg, presidente do Conselho da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, complementa que a imersão na rede pública desenvolve liderança sob pressão, considerando o SUS uma "universidade flutuante" para a formação de profissionais.

Os benefícios para o setor privado incluem o fortalecimento da gestão, uma visão sistêmica do cuidado, o aprofundamento em saúde populacional, o desenvolvimento de novos modelos assistenciais, a produção de conhecimento científico e a formação de lideranças.

## O que o SUS Ganha

Por outro lado, o SUS se beneficia da agilidade e da capacidade de implementação de tecnologias de logística e atendimento que o setor privado pode oferecer. Projetos como o uso de internet via satélite para telemedicina em comunidades remotas, como em uma missão no Amapá, demonstram essa colaboração.

Lottenberg destaca que o setor privado contribui com agilidade decisória e contratos mais rápidos. Além disso, pesquisas financiadas ou testadas no SUS retornam em forma de novas terapias e tratamentos, como estudos de telereabilitação, vacinas e pesquisas com células CAR-T para câncer.

Os principais ganhos para o SUS englobam a ampliação do acesso, o acesso a especialistas, a eficiência na gestão, a redução da mortalidade, a inovação tecnológica em regiões remotas e o desenvolvimento de projetos de apoio como o Proadi-SUS.

## Desafios e Gargalos

Apesar dos benefícios mútuos, os gestores apontam falhas estruturais. Klajner menciona a falta de acesso a tratamentos de qualidade e a escassez de especialistas no interior como os maiores problemas. A coordenação do fluxo do paciente, desde a atenção primária até a alta complexidade, é vista como essencial.

Entraves financeiros e a falta de coordenação geram desperdícios, com hospitais de alta complexidade atendendo casos leves por carência de unidades básicas. A integração entre os sistemas público e privado, embora criticada por alguns pela separação rígida, é vista como essencial para a melhoria contínua da saúde no país.