Reino Unido anuncia maior gasto com defesa desde a Guerra Fria
Reino Unido anuncia o maior plano de defesa desde a Guerra Fria, com R$ 102 bilhões para drones e IA. Medida visa modernizar forças armadas ante tensões globais.

O governo do Reino Unido divulgou nesta terça-feira (30) um ambicioso plano de investimento em defesa, o maior desde o fim da Guerra Fria. A iniciativa prevê a alocação de 15 bilhões de libras, o equivalente a R$ 102 bilhões, ao longo dos próximos quatro anos. Esta medida, considerada a última grande ação do primeiro-ministro Keir Starmer antes de deixar o cargo, visa modernizar as forças armadas britânicas frente a um cenário geopolítico cada vez mais instável.
## Contexto e Urgência
O Reino Unido, que já figura entre as cinco maiores potências militares do mundo com um orçamento de defesa de R$ 488 bilhões em 2025, discute o aumento de seus gastos militares desde 2014, após a anexação da Crimeia pela Rússia. A invasão da Ucrânia em 2022 e a perspectiva de uma possível redução do apoio militar dos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump aumentaram a sensação de urgência no debate.
## Modernização e Novas Tecnologias
A revisão estratégica de defesa, publicada em julho de 2025, aponta para a preparação de um confronto com a Rússia. Parte do plano inclui a aquisição de 12 caças F-35A dos EUA, equipados para o uso de armas nucleares táticas. O foco principal, contudo, está na "guerra do futuro", com investimentos expressivos em drones e sistemas de inteligência artificial (IA). A eficácia dessas tecnologias tem sido demonstrada em conflitos recentes e em testes por outras potências globais.
## Metas e Desafios
Keir Starmer comprometeu o país com a meta de destinar 5% do Produto Interno Bruto (PIB) para a defesa até 2035, sendo 3,5% para capacidades militares e 1,5% para infraestrutura. Essa meta foi estabelecida em parte para alinhar o Reino Unido com as exigências da OTAN e possíveis demandas dos Estados Unidos. Atualmente, o gasto britânico com defesa representa 2,38% do PIB, um patamar inferior a países como a Polônia (mais de 4%) e a Alemanha (2,14%), embora Berlim também esteja em processo de rearmamento.
## Impacto Econômico e Perspectivas
Para financiar o plano, Starmer admitiu a necessidade de cortes em outras áreas, como projetos de estradas e energia, justificando-as como menos vitais diante da necessidade de proteger a nação. Além disso, foi anunciado um fundo de R$ 340 bilhões para impulsionar projetos de defesa de empresas britânicas a longo prazo. O Reino Unido busca manter sua liderança em setores como mísseis e sistemas aeroespaciais, e participa do desenvolvimento de um caça de sexta geração em parceria com Japão e Itália.
## Reações Internacionais
O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, elogiou a iniciativa, destacando que um Reino Unido mais forte contribui para a segurança de toda a aliança. A decisão britânica reflete uma tendência global de aumento nos gastos militares, impulsionada por tensões internacionais e pela evolução tecnológica em armamentos.