PT e PL Ignoram Regras e Impulsionam Ataques Políticos Online
PT e PL gastam juntas R$ 277 mil em impulsionamento de críticas a opositores nas redes sociais, violando regras eleitorais. Partidos buscam ampliar alcance de ataques em meio à pré-campanha.

O cenário político brasileiro para as eleições de 2026 já demonstra sinais de tensão antecipada. Relatórios indicam que os partidos PT e PL têm desrespeitado as normas da Justiça Eleitoral ao impulsionar, mediante pagamento, conteúdos com críticas diretas a seus adversários políticos em plataformas como Facebook e Instagram. Juntos, os partidos teriam investido ao menos R$ 277 mil para ampliar o alcance dessas publicações, que somam mais de 39,1 milhões de impressões em todo o país.
O Partido Liberal (PL) direcionou uma parcela significativa de seus investimentos em impulsionamento para atacar figuras como o presidente Lula e o próprio PT. Dos 82 anúncios patrocinados entre janeiro e 24 de junho, 34 (41%) foram dedicados a críticas ao petista e ao seu partido, buscando associá-los a escândalos como o do Banco Master. Esses posts impulsionados pelo PL alcançaram aproximadamente 19,7 milhões de impressões, com um gasto estimado em R$ 132 mil. Em comparação, apenas 15 posts foram pagos para promover a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, gerando 9,4 milhões de impressões.
Por sua vez, o Partido dos Trabalhadores (PT) também utilizou a ferramenta de impulsionamento para veicular críticas aos Bolsonaros. Foram 76 anúncios com conteúdo desfavorável, representando quase 18% das 429 publicações impulsionadas pela sigla neste ano. Essas postagens abordaram temas como a influência de Eduardo Bolsonaro em questões diplomáticas. O PT declarou que os conteúdos impulsionados foram baseados em "informações, fatos e dados concretos" e que a sigla "acata os entendimentos recentes do TSE", afirmando que as postagens citadas pela Justiça Eleitoral já foram retiradas do ar.
A legislação eleitoral e resoluções específicas proíbem o impulsionamento de conteúdos que contenham críticas a opositores durante os períodos de campanha e pré-campanha. Embora os pré-candidatos possam expressar opiniões contrárias aos adversários, o investimento financeiro para ampliar a visibilidade dessas críticas é vedado. O PL manteve a veiculação de propaganda desfavorável até o dia 21 de junho, enquanto o PT alega ter cessado o impulsionamento de conteúdo negativo desde abril, priorizando a promoção de Lula.
Os dados sobre os gastos e o alcance dessas publicações foram compilados a partir da Biblioteca de Anúncios da Meta, empresa proprietária do Instagram, Facebook e WhatsApp. As ações de impulsionamento de críticas, por parte de ambos os partidos, já foram alvo de processos judiciais, resultando em determinações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a remoção dos conteúdos considerados irregulares.
O PL não respondeu aos contatos da reportagem para comentar o assunto. A Meta, por sua vez, reafirmou que suas operações seguem a legislação vigente.