PP: Sem base para punir prefeitos aliados em apoio a candidatos

PP no Acre não pode punir prefeitos aliados que apoiam Bocalom ou Alan Rick. Decisão é baseada em precedente de 2020, quando Gladson Cameli apoiou candidata adversária do partido.

PP: Sem base para punir prefeitos aliados em apoio a candidatos

O partido Progressistas (PP) no Acre enfrenta um dilema político: a sigla não possui fundamentação para punir ou expulsar prefeitos aliados que manifestaram apoio a candidaturas para o governo estadual. Os gestores em questão são Alysson Bestene (Rio Branco), Gerlen Diniz (Sena Madureira) e Zequinha Lima (Cruzeiro do Sul), que declararam suporte, respectivamente, ao ex-prefeito Tião Bocalom (PSDB) e ao senador Alan Rick.

A principal justificativa para a ausência de base para qualquer sanção reside em um precedente estabelecido em 2020. Na ocasião, o então governador Gladson Cameli, figura de proeminência dentro do PP no Acre, optou por apoiar a reeleição da então prefeita Socorro Neri (PSB, hoje no PP) em detrimento de Tião Bocalom, que era o candidato do próprio partido para a prefeitura de Rio Branco.

Este histórico torna inviável qualquer crítica formal a Zequinha Lima, por exemplo, sob a ótica partidária. Ele, assim como Cameli fez em 2020, pode alegar que sua decisão de apoiar determinados candidatos se baseia em critérios políticos e pessoais que considera legítimos, sem ferir as diretrizes internas do partido.

A governadora Mailza Assis, que se apresenta como pré-candidata ao governo, deve assumir um papel mais ativo nas articulações políticas para tentar gerenciar a crise interna que se instalou. A estratégia de alguns assessores de negar a existência do problema tem sido contraproducente, intensificando o desgaste e dificultando a recomposição da base aliada.

Ignorar a crise e seus efeitos visíveis é uma avaliação equivocada e politicamente arriscada. Qualquer afirmação de que a situação está sob controle deve ser vista com ceticismo. A força política do prefeito Zequinha Lima é um fator que não pode ser subestimado, pois ignorá-la seria desconsiderar um princípio básico de qualquer disputa eleitoral: a necessidade de reunir a maioria dos votos para vencer.

Uma possível solução para consolidar alianças seria a oferta do Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (DERACRE) ao MDB. Essa medida não seria ilegal nem imoral, exigindo apenas a indicação de um gestor capaz de satisfazer também ao senador Márcio Bittar, um aliado crucial. A escolha de Adalberto Ferreira, professor de economia da Ufac, ou Vagner Sales, presidente do MDB, são opções viáveis para a direção do DERACRE.

A conjuntura política local também envolve outros partidos e lideranças. Rumores indicam insatisfação no União Brasil com a pressão sobre Fábio Rueda. A reunião promovida em Brasiléia para o senador Alan Rick, embora não tenha sido expressiva em termos de mobilização, não diminui seu potencial eleitoral na região. Lideranças nacionais do PL e Republicanos mantêm conversas para formar alianças, com uma nova reunião com o senador Rogério Marinho prevista.

O ex-governador Gladson Cameli, candidato ao Senado, busca evitar conflitos, enquanto o ex-governador Jorge Viana avança na construção de acordos com parlamentares e lideranças de centro-direita.