PL destina R$ 600 mil a ONG de pré-candidato para filme sobre comunismo
PL destina R$ 600 mil do fundo partidário a ONG gaúcha de pré-candidato para produção de filme sobre ditaduras comunistas na Europa. Documentário 'Nós' tem estreia em julho.

O diretório nacional do Partido Liberal (PL), sob o comando de Valdemar Costa Neto, realizou um repasse de R$ 600 mil do fundo partidário para uma Organização Não Governamental (ONG) sediada em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. A entidade, presidida pelo pré-candidato a deputado estadual Rodrigo Cassol Lima, é especializada em assessoria de comunicação e produção audiovisual, e os serviços foram prestados no estado de Minas Gerais.
O pagamento, que ocorreu entre janeiro e abril deste ano, com parcelas mensais de R$ 150 mil, foi detalhado em nota fiscal obtida pela Folha. A justificativa contratual aponta para a “prestação de serviços de assessoria em comunicação e de produção audiovisual no Estado de Minas Gerais”.
## Filme sobre ditaduras comunistas
A ONG em questão, chamada Passos da Liberdade, foi criada em 2023 com o propósito declarado de "defesa de direitos sociais". Atualmente, a entidade está na fase final de produção de um documentário intitulado "Nós", que aborda regimes autoritários comunistas na Europa após a Segunda Guerra Mundial. Este filme, anteriormente conhecido como "Genocidas", já garantiu emendas parlamentares que somam R$ 860 mil. As emendas foram destinadas pelos deputados federais do PL Mario Frias (SP), Marcos Pollon (MS) e Eduardo Bolsonaro (SP), este último que encerrou seu mandato em dezembro.
A estreia do documentário "Nós" está prevista para 15 de julho, em Brasília. O filme é dirigido por Gustavo Lopes, que ocupou a posição de secretário nacional de Audiovisual no último ano do governo Jair Bolsonaro e também atuou na comunicação de ministérios. Lopes é autor de obras com viés conservador, como "Guerra Cultural". Rodrigo Cassol Lima, presidente da Passos da Liberdade, figura como coprodutor e responsável jurídico do documentário.
## Produção e confidencialidade
A Passos da Liberdade confirmou o contrato com o PL, afirmando que se trata de "prestação de serviços de comunicação institucional, com entrega de produto audiovisual". A organização enfatizou que a contratação tem caráter institucional e não se relaciona com pré-campanha, campanha eleitoral ou promoção pessoal de seus dirigentes. A ONG também esclareceu que não há remuneração direta ao seu diretor-presidente relacionada a este contrato e que as atividades não possuem vínculo com projetos do Ministério da Cultura. A entidade negou também qualquer ligação com o filme "Dark Horse", que gerou polêmica envolvendo o senador Flávio Bolsonaro.
Devido a cláusulas de confidencialidade, a ONG não pôde detalhar o conteúdo, formato ou estratégia do produto contratado pelo PL. A entidade reitera que suas ações estão dentro dos limites legais e contratuais.