Paradas do Orgulho LGBT: Hungria e Itália mostram caminhos opostos
Paradas do orgulho LGBT em Budapeste e Milão expõem divergências: Hungria busca nova era após Orbán, enquanto Itália enfrenta retrocessos e discursos de ódio.

As paradas do orgulho LGBTQIA+ deste sábado (27) revelam cenários distintos na Hungria e na Itália. Na Hungria, a expectativa é de maior tranquilidade após 16 anos de governo de Viktor Orbán. O novo primeiro-ministro, Péter Magyar, eleito em maio, tem demonstrado uma postura diferente, o que anima organizações locais. Apesar de leis restritivas ainda estarem em vigor, a polícia autorizou o evento deste ano, diferentemente do anterior, que só ocorreu com brecha legal e pressão internacional. A porta-voz da Budapest Pride aponta uma "ausência de hostilidade aberta e sistemática", mas aguarda ações concretas em legislação.
Já em Milão, a organização da marcha ocorre em meio a um clima de revolta. O lema "Corpos em Revolta" reflete a resistência a comentários preconceituosos de políticos e ataques recentes. Uma nova lei exige autorização dos pais para que adolescentes participem de aulas de educação sexual, criticada como "propaganda de gênero". Eurodeputados e políticos da extrema-direita têm feito declarações consideradas discurso de ódio. A CIG Arcigay Milano denuncia um "acirramento de certa classe política" e a luta contra "novos fascismos".
Ambos os países figuram nas últimas posições do ranking Rainbow Map 2026 da Ilga-Europe, que mede direitos e discriminação LGBTQIA+ no continente, ambos abaixo da média da União Europeia.