Oposição tropeça e Lula consolida favoritismo a 90 dias da eleição
A 90 dias da eleição, Lula se firma como favorito diante de uma oposição fragmentada. Flávio Bolsonaro enfrenta crises internas e externas, enquanto Lula mantém estabilidade, mas não supera barreiras de aprovação.

A menos de 90 dias da eleição presidencial, o cenário político brasileiro aponta Luiz Inácio Lula da Silva como favorito para um novo mandato. Seu principal opositor, o senador Flávio Bolsonaro, enfrenta dificuldades que o transformaram em um "azarão" tanto para o mercado financeiro quanto para lideranças políticas. Essa dinâmica, onde a ascensão de um implica na queda do outro, é um jogo de soma zero que beneficia o atual presidente.
Lula, apesar de alguns tropeços na condução de sua pré-candidatura, como a falha em construir um palanque forte em Minas Gerais e o erro político na indicação de um ministro para o STF sem acordo com o Senado, mantém uma base de apoio estável. A tentativa de emplacar Jorge Messias no Supremo Tribunal Federal sem alinhamento com a presidência do Senado resultou na rejeição da indicação e na paralisação de pautas importantes, como a reforma da escala de trabalho 6 por 1, de grande apelo eleitoral. A aprovação da administração Lula oscila entre 45% e 50% nas pesquisas, indicando que a decisão do eleitor está mais atrelada a fatores políticos do que econômicos.
## Oposição em Crise
O grande trunfo de Lula, paradoxalmente, tem sido a fragilidade da oposição. Flávio Bolsonaro encontra-se imerso em um "labirinto" político, agravado desde maio, quando vieram à tona diálogos sobre pedidos de dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, supostamente para a produção de um filme sobre seu pai. Embora as pesquisas de intenção de voto ainda mostrem um cenário em aberto, com uma vantagem de cerca de quatro pontos para Lula no segundo turno, as expectativas sobre o candidato do PL se deterioraram.
A dificuldade de Flávio em agregar apoios é notória. A desavença com a madrasta, Michelle Bolsonaro, culminou na saída dela da presidência do PL Mulher, com possibilidade de não concorrer ao Senado. Aliados tradicionais do Centrão, como União Brasil, PP e Republicanos, permanecem distantes. O único apoio externo concreto vem dos Estados Unidos, com viagens frequentes de Flávio para negociar concessões geopolíticas e econômicas com Donald Trump, em busca de adiamento de sanções contra o Brasil – um movimento sem precedentes de ânsia por intervenção estrangeira.
## Terceiras Vias e Estratégias Divididas
Fora da polarização, outras candidaturas buscam espaço. Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) optaram por vices alinhados às suas estruturas partidárias. Renan Santos foca em um nicho eleitoral que rejeita tanto o lulismo quanto o bolsonarismo, um grupo estimado entre 8% e 10%. Caiado adota uma postura de "bolsonarista funcional", indicando apoio a Flávio em um eventual segundo turno, mas sugerindo que ele seria mais viável contra Lula devido a menor rejeição. Contudo, entre os eleitores que conhecem Caiado, sua rejeição é comparável à de Flávio.
Romeu Zema (Novo) segue estratégia similar a Renan Santos, mas com a desvantagem de não controlar totalmente seu partido, onde alas importantes têm laços com o bolsonarismo. A realização de debates televisivos entre os principais candidatos será fundamental para aumentar a visibilidade de todos.