Lula rebate Trump e defende soberania sul-americana
Em cúpula do Mercosul, Lula rebate Donald Trump, defende a soberania sul-americana e anuncia aumento de investimentos brasileiros no bloco, além de reforçar a defesa da democracia.

Em um discurso contundente na 68ª Cúpula de Presidentes do Mercosul, realizada nesta terça-feira (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou uma mensagem clara de independência e soberania para os países sul-americanos. Diante de um cenário de crescentes tensões com o governo dos Estados Unidos, especialmente com o presidente Donald Trump, Lula declarou: “Ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul”.
A declaração do líder brasileiro surge como resposta direta às recentes ações de Trump, que incluem a ameaça de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, uma medida que começou a ser implementada em abril de 2025 contra diversos países, utilizando o poder econômico americano como ferramenta de pressão. Lula também criticou outras iniciativas norte-americanas, como a detenção do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e a classificação de facções brasileiras como grupos terroristas, o que abre portas para potenciais intervenções estrangeiras na região.
## Fortalecendo a Autonomia Regional
Lula ressaltou aos demais líderes sul-americanos a importância de preservar a liberdade e a independência dos países do bloco. Ele defendeu a necessidade de que cada nação mantenha seus interesses individuais para garantir um espaço relevante no cenário global. "Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes. Nossa força estará na capacidade de dialogar com todos, sem deixar de lado nossos interesses. Diversificar parcerias, ampliar a cooperação e preservar a autonomia são requisitos para que a região encontre seu espaço em um mundo em transformação", afirmou.
O presidente brasileiro apresentou o Mercosul como um escudo estratégico em tempos de acirramento de rivalidades geopolíticas e ascensão do unilateralismo global. A união do bloco, segundo ele, é fundamental para mitigar a instabilidade mundial e os impactos do aumento de preços de alimentos e energia, exacerbados por conflitos internacionais.
## Ampliação de Parcerias e Investimentos
No âmbito das relações comerciais, Lula celebrou os avanços no diálogo com Canadá, Índia e Vietnã, além do acordo recém-finalizado com a União Europeia. Um passo significativo foi dado nas negociações para uma parceria econômica com o Japão, e o presidente expressou o desejo de firmar acordos com a China em breve. Como demonstração de compromisso com o bloco, o Brasil anunciou um aumento em seus investimentos. Lula pretende elevar a contribuição brasileira ao Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (FOCEM), que financia projetos de infraestrutura nos países membros, para US$ 100 milhões anuais por uma década, dobrando a meta total de arrecadação do fundo, do qual o Brasil já é o maior contribuinte.
## Defesa da Democracia
Lula também aproveitou a oportunidade para reforçar a importância da democracia, que, em sua visão, está sob ameaça global. Ele citou o Brasil como exemplo, mencionando tentativas de desestabilização, como o planejamento de um golpe de Estado e a disseminação de desinformação para minar a confiança nas instituições. "Em nossa região, não é diferente. No Brasil, os extremistas planejaram um golpe de Estado. Redes de desinformação continuam desvirtuando o debate público e tentando enfraquecer a confiança nas instituições", alertou.