Lula e líderes do Mercosul abrem negociações com o Japão

Presidente Lula participa de Cúpula do Mercosul no Paraguai, que lançará negociações com o Japão e discutirá desafios internos do bloco.

Lula e líderes do Mercosul abrem negociações com o Japão

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou nesta terça-feira (30) em Assunção, Paraguai, para participar da Cúpula do Mercosul. O evento marca o início das negociações para um acordo de associação econômica entre o bloco sul-americano e o Japão, com o objetivo de expandir não apenas o comércio, mas também a cooperação mútua.

## Diversidade Política e Desafios Internos

A reunião conta com a presença de líderes de diversas orientações políticas, incluindo o anfitrião Santiago Peña, Javier Milei (Argentina), Yamandu Orsi (Uruguai), Rodrigo Paz (Bolívia), José Antonio Kast (Chile) e Daniel Noboa (Equador). A participação de Lula e Orsi destaca a presença de lideranças de esquerda em um cenário predominantemente de direita no bloco.

A cúpula ocorre em um período de intensa negociação do Mercosul com nações extrarregionais, após acordos recentes com a União Europeia e a Efta. No entanto, o bloco enfrenta divergências internas significativas. Um dos pontos de tensão é a divisão de cotas de exportação isentas de tarifas para a União Europeia, com prazo até setembro para definição.

O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, alertou sobre "iniciativas que atentam contra o espírito" do Mercosul e ameaçam a Tarifa Externa Comum (TEC), citando como exemplo o acordo comercial unilateral anunciado pela Argentina com os Estados Unidos. A Argentina também tem buscado maior flexibilidade para o bloco, argumentando que sua rigidez prejudica a economia nacional.

## Fortalecimento do Bloco e Questões Sociais

Outro anúncio esperado é o aumento da contribuição brasileira para o Focem (Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul). O fundo, criado para reduzir desigualdades, financia projetos de infraestrutura, saneamento, habitação, energia e ações sociais, especialmente no Paraguai e Uruguai.

A cúpula também deve abordar a situação da Venezuela, que lida com as severas consequências de recentes terremotos. A expectativa é que os presidentes emitam um pronunciamento conjunto sobre o tema, demonstrando solidariedade e apoio.