Lula defende acordo Mercosul-China e critica protecionismo
Presidente Lula defende acordo comercial do Mercosul com a China e critica protecionismo em cúpula no Paraguai. Bloco avança em negociações com Japão e outros países.

Em um cenário global de crescentes tensões comerciais e ações unilaterais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, durante a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, a necessidade estratégica de o bloco sul-americano expandir seus horizontes comerciais. Em sua intervenção em Assunção, no Paraguai, Lula propôs que o Mercosul inicie negociações para um acordo de comércio com a China, um dos maiores mercados dinâmicos do planeta.
## Ampliação de Horizontes Comerciais
O líder brasileiro ressaltou que o Mercosul já está em avançados diálogos com países como Canadá, Índia e Vietnã, e que a cúpula seria um marco para o lançamento de negociações de uma parceria econômica com o Japão. “Em breve, queremos fazer o mesmo com a China e seguir nos aproximando dos mercados mais dinâmicos do planeta”, afirmou Lula, sinalizando uma estratégia de diversificação e fortalecimento das relações comerciais do bloco.
## Crítica ao Protecionismo e Alinhamentos Excludentes
Lula aproveitou a ocasião para tecer críticas contundentes ao que denominou de “alinhamento automático” e “escolhas excludentes” nas relações internacionais. “Ninguém é dono do mundo. E ninguém é dono da América do Sul. Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes”, declarou, defendendo a autonomia e a soberania dos países membros.
## Mercosul como Necessidade Estratégica
Diante de um contexto mundial marcado pela fragmentação econômica, guerras e aumento do protecionismo, o presidente brasileiro enfatizou a importância do Mercosul como um “espaço institucional” e uma “necessidade estratégica”. Ele relembrou o expressivo crescimento do comércio intrabloco, que saltou de US$ 4,5 bilhões para US$ 50 bilhões entre 1991 e 2025, e as exportações que atingiram US$ 770 bilhões no último ano. Lula defendeu que o projeto de integração sul-americana deve transcender divergências ideológicas, priorizando o fortalecimento do diálogo e da cooperação.
## Fortalecimento do Focem e Segurança Regional
A cúpula também abordou a reformulação do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), com o Brasil anunciando um aporte anual de US$ 100 milhões para o novo fundo, com o objetivo de reduzir as desigualdades regionais. Na área de segurança, o Brasil apresentou uma proposta de pacto regional contra o feminicídio e a violência contra as mulheres, além de destacar a iniciativa de financiar a presença de delegados de 12 países na capital argentina para fortalecer o combate ao crime organizado e ao tráfico internacional de drogas.
A reunião contou com a presença dos chefes de Estado do Chile, Paraguai, Uruguai, Equador e Bolívia, marcando o fim da presidência paraguaia e o início da gestão uruguaia. A ausência notada foi a do presidente argentino, Javier Milei, que cancelou sua viagem à Assunção.