Lula acelera anúncios populares antes de restrições eleitorais
Presidente Lula intensifica agenda de anúncios populares e medidas de crédito antes das restrições eleitorais, enfrentando desafios fiscais e de avanço no Congresso.

Com a proximidade do período de restrições à publicidade oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensifica a agenda de anúncios e entregas do governo federal. O Palácio do Planalto vê a janela até 4 de julho como a última oportunidade para ampliar a visibilidade de ações com potencial de impacto eleitoral.
## Ampliação do Desenrola e Crédito para Informais
A estratégia inclui a expansão do programa Desenrola. Nesta segunda-feira (29), foi lançada uma linha de crédito com juros subsidiados (até 1,99% ao mês) para trabalhadores informais com contas em dia ou dívidas de até 90 dias. O objetivo é facilitar o acesso ao crédito para um público que usualmente enfrenta barreiras.
## Empreendedorismo e MEIs
Paralelamente, foi criada uma linha especial de financiamento para ex-adimplentes do Fies interessados em iniciar ou expandir negócios. O governo também entregou ao presidente da Câmara, Arthur Lira, um projeto que eleva o teto de faturamento anual dos Microempreendedores Individuais (MEIs) de R$ 81 mil para R$ 140 mil. A medida econômica estima uma renúncia fiscal de cerca de R$ 50 bilhões.
## Pressão Fiscal e Desafios no Congresso
Esses anúncios ocorrem em um cenário de crescente pressão sobre as contas públicas. O governo registrou um déficit primário de R$ 53,2 bilhões em maio, aumentando o desafio de conciliar estímulos econômicos com o equilíbrio fiscal. No Congresso, prioridades como a PEC da escala de trabalho 6x1 e a PEC da Segurança Pública enfrentam dificuldades para avançar. A troca na liderança do governo no Senado, com a senadora Teresa Leitão (PT-PE) assumindo, ainda não alterou o cenário de paralisia dessas propostas, que podem ficar para após o recesso parlamentar.
## Aposentadoria para Agentes de Saúde
Em contrapartida, o Senado deve votar nesta terça-feira (30) a criação de uma aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde. A medida, estimada em mais de R$ 28 bilhões na próxima década, também representa um aumento na pressão fiscal.
A agenda presidencial continua intensa, com participação na Cúpula do Mercosul, lançamento do Plano Safra, inauguração de hospital e anúncios na área da educação, além de viagens, incluindo à Bahia, estado que se tornou foco de uma crise política interna do PT.