Keiko Fujimori é proclamada presidente do Peru e promete nova era
Keiko Fujimori é proclamada presidente eleita do Peru para 2026-2031. Promete nova etapa focada em ordem e resultados, mas enfrenta desafios econômicos e de segurança. Adversário questiona resultado.

A conservadora Keiko Fujimori foi oficialmente proclamada presidente eleita do Peru para o mandato de 2026 a 2031, em um anúncio feito pela Justiça Eleitoral do país nesta sexta-feira (03). A cerimônia, realizada em Lima, marca o fim de um processo eleitoral acirrado e abre caminho para o que Fujimori descreveu como uma "nova etapa" para o Peru, focada em "responsabilidade, diálogo e resultados".
Aos 51 anos, a presidente eleita enfatizou a necessidade de o país "recuperar a ordem em suas ruas, em suas instituições e no Estado". A proclamação formal pelo presidente do Júri Nacional de Eleições (JNE), Roberto Burneo Bermejo, encerra um capítulo de instabilidade política que assola o Peru há uma década, período em que o país viu oito presidentes diferentes assumirem o cargo, muitos deles destituídos ou renunciando.
Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, enfrentará desafios significativos em seu governo. Entre as prioridades estão o combate à crescente criminalidade e o impulso a uma economia que tem apresentado crescimento abaixo do potencial, com a perspectiva de ser ainda mais impactada pelo fenômeno climático El Niño nos próximos meses. A posse oficial de suas credenciais está marcada para 15 de julho, com a cerimônia de posse prevista para 28 de julho.
O resultado final do segundo turno, realizado em 7 de junho, apontou uma vitória apertada para Fujimori, que obteve 50,135% dos votos válidos, contra 49,865% de seu oponente de esquerda, Roberto Sánchez. A apuração detalhada, que se estendeu por três semanas, culminou na confirmação de sua eleição, apesar de Sánchez ter questionado a legitimidade dos resultados, alegando irregularidades em votos do exterior e recorrendo à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
A eleição de Keiko Fujimori representa o retorno do fujimorismo ao poder, 25 anos após a queda de seu pai, Alberto Fujimori, cujo legado permanece controverso no Peru. Enquanto apoiadores celebram suas realizações na estabilização econômica e no combate ao terrorismo, críticos relembram condenações por corrupção e violações de direitos humanos.
Apesar das contestações de Sánchez, a vitória de Fujimori já recebeu o reconhecimento de diversas autoridades internacionais. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, parabenizou a eleita e ofereceu colaboração para uma América do Sul "mais próspera, integrada, democrática e soberana". Os Estados Unidos expressaram o desejo de aprofundar a colaboração em segurança, investimentos e comércio. O presidente argentino, Javier Milei, destacou que o Peru "se junta ao bloco de países da região que decidiram enfrentar o socialismo e trabalhar juntos na defesa da liberdade".