Keiko Fujimori assume presidência do Peru e retoma poder para direita

Keiko Fujimori é eleita presidente do Peru com 50,13% dos votos, marcando o retorno do fujimorismo ao poder em um país assolado pela criminalidade e crise institucional.

Keiko Fujimori assume presidência do Peru e retoma poder para direita

Keiko Fujimori, 51 anos, foi eleita presidente do Peru em uma eleição acirrada, consolidando o retorno do fujimorismo ao cenário político nacional. A vitória, anunciada nesta segunda-feira (29), três semanas após o segundo turno, representa um marco para a direita no país, que enfrenta graves desafios como o crime organizado e uma profunda crise institucional.

Com 50,13% dos votos, Fujimori superou seu oponente de esquerda, Roberto Sánchez, por uma margem mínima de 49,86%, de acordo com os dados finais divulgados pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe). A diferença foi inferior a 50 mil votos, evidenciando a polarização do pleito.

"Estamos cada vez mais perto de iniciar um caminho de ordem e esperança para todos os peruanos", declarou Keiko Fujimori em sua conta no X, após a confirmação de sua eleição. A transição oficial de poder está prevista para 28 de julho, quando ela sucederá o presidente interino José María Balcázar, com um mandato que se estenderá até 2031.

A eleição de Keiko Fujimori simboliza o ressurgimento do legado de seu pai, Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000. Enquanto seus apoiadores ressaltam o período de estabilidade econômica e o combate a grupos armados promovidos por seu pai, críticos apontam para condenações por corrupção e violações de direitos humanos.

## Desafios Imediatos e Crise Institucional

A campanha eleitoral foi marcada pela preocupação com o aumento da criminalidade. As denúncias de homicídios no Peru mais que dobraram entre 2018 e 2025, e as de extorsão cresceram expressivamente. Keiko Fujimori prometeu uma abordagem rigorosa contra esses crimes, mas especialistas alertam que a implementação de medidas eficazes exigirá tempo e enfrentará obstáculos significativos.

Além da segurança pública, a nova presidente terá a tarefa de reerguer a economia e estabilizar a política peruana. O país tem sido palco de uma instabilidade institucional crônica, com oito presidentes se sucedendo desde 2016, muitos derrubados pelo Congresso ou forçados a renunciar. A polarização deixada pela campanha também representa um desafio, com Fujimori reconhecendo a necessidade de diálogo com todas as forças políticas.

Roberto Sánchez, por sua vez, chegou a questionar a lisura do processo eleitoral, alegando supostas fraudes em votos do exterior sem apresentar provas concretas, e mencionou a possibilidade de recorrer a instâncias internacionais. No entanto, a apuração final confirmou a vitória de Keiko Fujimori, que agora assume a pesada responsabilidade de unir um país fragmentado e enfrentar suas urgentes necessidades.