Kassab vira vice de Caiado e busca ampliar poder do PSD
Gilberto Kassab assume vice em chapa presidencial do PSD com Ronaldo Caiado para fortalecer poder de barganha do partido em eventual segundo turno e ampliar bancada.

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, assumiu a posição de vice na chapa presidencial do partido, liderada por Ronaldo Caiado. A decisão, oficializada em Brasília, tem como principal objetivo estratégico aumentar o poder de negociação do PSD em um eventual segundo turno das eleições presidenciais. A iniciativa busca transformar a candidatura de Caiado, que recentemente se filiou à sigla, de um projeto individual para uma iniciativa com forte caráter partidário.
## Estratégia Partidária e Poder de Barganha
Ao conferir um caráter institucional à campanha, o PSD almeja uma participação mais ativa de sua cúpula, o que, segundo aliados, encareceria um eventual apoio da chapa a Flávio Bolsonaro (PL), hoje visto como favorito para disputar o segundo turno contra o presidente Lula (PT). Antes dessa articulação, a expectativa era de uma adesão automática de Caiado a Bolsonaro em uma segunda etapa contra Lula, movimento que gerou incômodo em lideranças do PSD.
Com Kassab na vice-presidência, o partido avalia que a posição de apoio precisará ser rediscutida. Aliados esperam que Kassab pavimente o caminho para que um eventual apoio do PSD a um governo de Flávio Bolsonaro seja correspondido com a cessão de espaços importantes, como ministérios, e com o apoio do PL a candidaturas do PSD no Congresso Nacional.
## Fundo Eleitoral e Apoio a Candidatos do PSD
A entrada de Kassab na chapa também prevê a destinação de parte significativa do fundo eleitoral do partido para a campanha presidencial. Estima-se um investimento de pelo menos R$ 30 milhões. Este montante é considerado crucial para um dos principais objetivos do PSD: ampliar sua bancada de deputados federais para cerca de 65 cadeiras.
Inicialmente, Kassab focará em aproximar Caiado de prefeitos e governadores do PSD, partido que elegeu quase 900 prefeitos e possui seis governadores. Essa estratégia visa oferecer uma alternativa a candidatos do PSD que não contam com apoio de Lula ou Bolsonaro, especialmente em estados como o Paraná, onde há disputa acirrada. A candidatura de Caiado pode servir como um "escudo" contra pressões por apoio a um dos dois principais polos, permitindo que candidatos locais argumentem ter seu próprio candidato à Presidência.
## Impulsionando Caiado e a "Terceira Via"
Paralelamente, o PSD busca impulsionar a candidatura de Ronaldo Caiado, que registrou 3% nas últimas pesquisas Datafolha, para que atinja ao menos 5% no primeiro turno. A avaliação é que ele pode crescer a partir dos debates, posicionando-se como uma "terceira via" e uma alternativa de direita combativa, enquanto Flávio Bolsonaro tenta projetar uma imagem mais moderada. Os índices de segurança pública de Goiás também são vistos como um trunfo para Caiado.
Embora não haja expectativa de que Caiado chegue ao segundo turno, a articulação com Kassab visa fortalecer a posição do PSD. Em seu discurso, Caiado apelou aos eleitores de direita, alertando que a chegada de Bolsonaro ao segundo turno favoreceria Lula, e que a vitória do petista significaria mais quatro anos de governo do PT. A estratégia do partido é clara: maximizar sua influência e garantir espaços de poder em qualquer cenário pós-primeiro turno.