EUA e Irã trocam sinais sobre negociações no Catar, mas acordo segue incerto
EUA e Irã emitem sinais conflitantes sobre negociações no Catar. Enviado americano viaja a Doha, mas Teerã nega acordo formal em andamento, aumentando a incerteza.

A possibilidade de um avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã ganhou contornos de incerteza nesta terça-feira (30), com enviados americanos em rota para o Catar, enquanto Teerã nega a existência de tratativas formais em curso. O presidente dos EUA, Donald Trump, indicou que conversas de alto nível ocorreriam em Doha, capital catariana, e que seu enviado, Steve Witkoff, estaria a caminho. Contudo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou que não há negociações agendadas para os próximos dias, embora uma delegação de especialistas iranianos também se desloque a Doha.
Baghaei ressaltou que o Irã e os EUA ainda não atingiram a etapa de negociação para um acordo definitivo, citando a Cláusula 13 de um memorando bilateral. Segundo ele, as negociações só podem iniciar após a implementação de cláusulas específicas, como a venda de petróleo (Cláusula 10) e a liberação de ativos congelados (Cláusula 11). Ele mencionou que os EUA emitiram licenças relacionadas à Cláusula 10 e que o Irã acompanha a implementação, enquanto trabalha na Cláusula 11. O porta-voz frisou que qualquer visita de autoridades americanas ao Catar não estaria ligada à presença da delegação iraniana.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reforçou que o Irã cumprirá seus compromissos se os EUA agirem da mesma forma, mas alertou para uma resposta firme a ameaças. Ele também comentou a possível devolução de metade dos US$ 12 bilhões em ativos iranianos congelados no Catar, um ponto sobre o qual os EUA teriam apresentado informações contraditórias.
Do lado americano, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou à Fox News a realização de conversas de alto nível, com discussões técnicas paralelas. Ela citou que o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump, viajariam para Doha para esses encontros.
Em paralelo, o cenário geopolítico da região continua tenso. Em Israel, o ministro da Defesa, Israel Katz, revelou que Trump tem buscado vincular as guerras no Líbano e com o Irã nas negociações de cessar-fogo, contrariando o desejo israelense de tratar os conflitos separadamente. Katz afirmou que Israel tem apoio americano para permanecer no Líbano até o desarmamento do Hezbollah.
No Estreito de Ormuz, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã declarou que a remoção de minas na área será realizada exclusivamente pelo Irã, em contraponto a sugestões de colaboração internacional. O trânsito de navios comerciais pelo estreito, um ponto estratégico vital, registrou uma queda significativa em comparação com os níveis anteriores ao conflito, com pouco mais de duas dezenas de embarcações transitando em 24 horas, segundo dados da MarineTraffic.
No Líbano, o presidente do Parlamento e aliado do Hezbollah, Nabih Berri, criticou o acordo mediado pelos EUA entre Israel e seu país, considerando-o inviável de implementação. O conflito entre o Hezbollah e as forças israelenses no sul do Líbano seguiu ativo durante o fim de semana, mesmo após a assinatura de uma nova trégua, evidenciando a fragilidade da situação.