EUA: 4 de Julho expõe profunda divisão política e polêmicas

Comemorações dos 250 anos da independência dos EUA em 2026 foram marcadas por polarização política, manifestações militares e polêmicas envolvendo Donald Trump e a organização de eventos.

EUA: 4 de Julho expõe profunda divisão política e polêmicas

Os Estados Unidos celebraram o 4 de Julho, data que marca os 250 anos de sua independência, em um clima de acentuada polarização política. A capital, Washington, foi palco de demonstrações de força militar, incluindo sobrevoos de caças da Força Aérea Americana, e de uma série de eventos associados à figura de Donald Trump, provocando reações distintas na população.

As comemorações deste ano foram organizadas pela associação Freedom to 250, ligada a Trump. Essa organização está sob escrutínio de democratas na Câmara dos Deputados, que divulgaram um relatório acusando o ex-presidente de obter benefícios financeiros através dela. A entidade é responsável pela coordenação de eventos que antecederam o feriado, como uma luta de UFC realizada na Casa Branca e a controversa reforma do espelho d'água do National Mall. O projeto de revitalização do espelho d'água, que deveria ter sido tingido de azul em alusão à bandeira americana, apresentou problemas como formação de algas e descascamento da pintura, o que Trump atribuiu a atos de vandalismo.

A atmosfera em Washington foi descrita como intensa, com o barulho ensurdecedor das aeronaves militares ecoando pela cidade. A correspondente Mariana Janjácomo relatou que a velocidade dos caças tornava difícil sua visualização, mas o som era potente o suficiente para dar a sensação de que os prédios tremiam.

A polarização se estendeu ao comportamento dos cidadãos, com alguns expressando o desejo de celebrar a data sem que isso fosse interpretado como apoio a Trump, enquanto outros compareceram aos eventos ostentando bonés do movimento MAGA (Make America Great Again). Essa divisão ficou ainda mais evidente em uma data tão significativa para a identidade nacional americana.

Analistas apontam que a atual cisão entre os americanos é mais profunda do que divergências históricas entre os partidos Democrata e Republicano. Segundo Lourival Sant'Anna, a coesão social e política dos EUA, antes sustentada por um senso de destino comum, foi corroída nas últimas três décadas. Ele argumenta que o debate político migrou de questões econômicas para temas culturais e morais, resultando em uma radicalização progressiva de ambos os lados. Sant'Anna também alertou para um "aumento exponencial do poder presidencial", o que contraria o espírito da Constituição americana, concebida para evitar a concentração de poder.

Américo Martins complementou a análise, reconhecendo a influência e admiração que os EUA ainda inspiram, mas ressaltando que suas imperfeições se tornam cada vez mais visíveis. Preocupações com o enfraquecimento da separação dos poderes e o risco de o país se tornar uma oligarquia dominada por bilionários com crescente poder político foram mencionadas, ecoando preocupações já expressas anteriormente por figuras como Joe Biden.