Especialista: EUA podem influenciar eleições no Brasil por receio da China

Especialista Regiane Bressan avalia que EUA podem influenciar eleições brasileiras por temor da China, impulsionando a ascensão da direita na América Latina.

Especialista: EUA podem influenciar eleições no Brasil por receio da China

A política externa dos Estados Unidos pode exercer influência nas próximas eleições presidenciais no Brasil, segundo análise da professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Regiane Bressan. Especialista em direitas latino-americanas, Bressan acredita que o país norte-americano buscará "tensionar" o cenário eleitoral brasileiro, em um movimento que se alinha a uma tendência de fortalecimento da direita na região.

Bressan observa que a América Latina tem demonstrado um acentuado giro à direita nas últimas eleições. Ela cita como exemplos recentes as vitórias de Keiko Fujimori no Peru e de Abelardo de la Espriella na Colômbia, ambos eleitos com discursos focados no combate à violência e ao narcotráfico. Este movimento, segundo a especialista, não é recente e tem se consolidado desde o início dos anos 2000, com a ascensão de governos de direita em diversos países do continente.

## Fatores daguinada à direita

A professora atribui essa inclinação política a uma combinação de fatores, incluindo a descrença na política tradicional, a crescente influência das redes sociais e a busca por soluções rápidas para problemas complexos. No entanto, Bressan destaca um denominador comum por trás dessa guinada: a influência, direta ou indireta, dos Estados Unidos nas decisões regionais.

"Eu acredito que os Estados Unidos continuarão tensionando a nossa região e acho que vão tensionar as eleições no Brasil", afirmou a especialista em entrevista, sugerindo que Washington pode ter receios em relação à China e suas possíveis influências no Brasil. A professora também ressalta que a eleição de um presidente de direita não garante automaticamente um alinhamento com os interesses de Donald Trump, ex-presidente americano.

## Influência americana e o cenário latino-americano

Bressan analisou o panorama político de outros países. Na Argentina, Javier Milei é visto como alinhado a Trump. Na Bolívia, Rodrigo Paz Pereira representa a direita, encerrando um ciclo socialista. Já no México, Claudia Sheinbaum, de esquerda, enfrenta desafios para manter a autonomia frente à forte interdependência com os Estados Unidos, especialmente em questões de migração e comércio.

No Chile, a eleição de José Antonio Kast foi impulsionada pela preocupação com a segurança pública e a violência urbana, em um contexto de pressão migratória, especialmente de venezuelanos. O país, historicamente mais conservador, viu a ascensão de Kast em meio a esses receios.

A análise de Bressan sugere que a dinâmica política na América Latina é complexa, com influências externas significativas e uma tendência clara de fortalecimento de governos de direita, o que pode se refletir também no futuro político brasileiro.