Caiado lança Kassab como vice em chapa com pouca força eleitoral

Ronaldo Caiado (PSD) lança Gilberto Kassab como vice em sua chapa presidencial, evidenciando dificuldades em atrair aliados e apostando em barganha para o segundo turno. Pesquisas mostram candidatura com baixa intenção de votos.

Caiado lança Kassab como vice em chapa com pouca força eleitoral

A pré-candidatura à Presidência de Ronaldo Caiado (PSD) caminha para ter Gilberto Kassab, presidente da sigla, como seu vice. O anúncio, previsto para esta quarta-feira (1º), sinaliza a complexidade do PSD em formar alianças competitivas e a aposta em negociações futuras.

## Dificuldades na busca por aliados

Caiado buscou dialogar com outras lideranças, como Romeu Zema (Novo), outro pré-candidato com desempenho modesto nas pesquisas. No entanto, as conversas não evoluíram para uma união formal. Uma pesquisa Nexus/BTG Pactual divulgada recentemente aponta Caiado com apenas 5% das intenções de voto para o primeiro turno, distante dos líderes Lula (PT), com 42%, e Flávio Bolsonaro (PL), com 34%. Ele aparece tecnicamente empatado com Renan Santos (Missão) e Zema.

## Estratégia de Kassab e o papel do PSD

Em abril, Kassab mencionou a possibilidade de o PSD, mesmo sem chegar ao segundo turno, obter 15% dos votos para fortalecer sua posição em negociações posteriores. A escolha de Kassab como vice pode ser interpretada como uma tentativa de conferir peso institucional à campanha de Caiado, oferecendo uma figura experiente em articulação política. Ao contrário de outros partidos, o PSD não se mostra unificado em torno de um único candidato, o que leva Caiado a lidar com apoiadores de adversários dentro de seu próprio partido.

## Tática de campanha e projeções

Analistas apontam que a estratégia de Caiado pode envolver um posicionamento mais cauteloso neste momento inicial, evitando confrontos diretos com Flávio Bolsonaro. A campanha oficial só se intensificará após as convenções partidárias em agosto. Para Rui Tavares Maluf, cientista político da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, uma chapa com uma figura mais proeminente ao lado de Caiado poderia ter buscado maior apoio. A entrada de Kassab, no entanto, busca ao menos dar uma aparência de solidez à candidatura.

## O futuro do PSD no cenário eleitoral

Embora a projeção para a candidatura presidencial de Caiado não aponte para o segundo turno, a estratégia do PSD, segundo Kassab, é fortalecer o partido para ter poder de barganha com os finalistas. O desempenho do PSD nas eleições para o Congresso Nacional e em pleitos locais também será crucial. Em 2024, por exemplo, o partido se destacou pelo número de prefeitos eleitos. Contudo, a dificuldade em unir legendas do Centrão, como União Brasil, PP, Republicanos e MDB, evidencia a fragilidade da chapa pessedista na disputa presidencial.