Aliados de Flávio Bolsonaro buscam acelerar PL do homeschooling no Senado

Aliados de Flávio Bolsonaro articulam no Senado a aceleração do PL do homeschooling, que regulamenta o ensino domiciliar. Projeto enfrenta críticas de entidades educacionais que alertam para fragilização da proteção infantil.

Aliados de Flávio Bolsonaro buscam acelerar PL do homeschooling no Senado

Aliados políticos de Flávio Bolsonaro (PL) no Senado Federal estão intensificando os esforços para agilizar a tramitação do projeto de lei (PL) que visa regulamentar o ensino domiciliar no Brasil, conhecido como homeschooling. Esta modalidade educacional é uma das pautas prioritárias para o segmento bolsonarista no Congresso e foi uma das promessas de campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, durante seu governo.

A estratégia central consiste em apresentar um requerimento de urgência. Caso aprovado, este pedido contornaria a necessidade de discussão e votação na Comissão de Educação do Senado, permitindo que o texto vá diretamente para deliberação em plenário. O PL já foi aprovado na Câmara dos Deputados em 2022 e encontra-se paralisado no Senado desde então.

## Articulação e Apoio Político

O pedido de urgência foi formalizado pelo senador Magno Malta (PL-ES) e conta com o suporte de diversos senadores alinhados ao bolsonarismo, incluindo Eduardo Girão (Novo-CE), Damares Alves (Republicanos-DF) e Sergio Moro (PL-PR). Na justificativa apresentada, Malta argumentou que a urgência se faz necessária para proporcionar segurança jurídica às famílias brasileiras que optam pelo ensino domiciliar, além de suprir a lacuna na regulamentação federal específica sobre o tema.

Desde 2022, o grupo tem buscado autorizar o homeschooling, tentando incluí-lo em projetos como o Plano Nacional de Educação e o Sistema Nacional de Educação, contudo, sem êxito até o momento. Os defensores da proposta argumentam que os pais possuem o direito fundamental de escolher a forma como seus filhos serão educados.

## Críticas e Controvérsias

Por outro lado, o projeto enfrenta resistência de organizações da sociedade civil ligadas à área da educação. Críticos apontam que, mesmo com a regulamentação proposta, que exigiria a apresentação de um plano de atividades e relatórios semestrais fiscalizados por uma escola, o modelo fragiliza o papel da escola na proteção e detecção de riscos para crianças e adolescentes. O Supremo Tribunal Federal (STF), em 2018, já havia decidido que o homeschooling não é ilegal, mas necessita de regulamentação para ser efetivamente permitido.

Um manifesto contra o projeto, assinado por associações de professores e outras entidades, destaca o papel essencial da escola na educação, convivência e na identificação de violências. "A escola é o ambiente mais efetivo do Sistema de Garantia de Direitos, identificando de forma sistemática violências e violações", afirma o documento. As entidades que assinam o manifesto argumentam que o homeschooling enfraquece o desenvolvimento infantil, a equidade educacional e a inclusão social, defendendo o fortalecimento do ambiente escolar como prioridade estatal. Adicionalmente, contestam a existência de evidências científicas robustas sobre os benefícios do ensino domiciliar para o desenvolvimento social e econômico do país, em contraste com pesquisas que comprovam a escola como impulsionadora de capital humano.