Venezuelanos relatam terror e improvisam resgates após terremotos

Venezuelanos narram momentos de terror e improvisam resgates após forte terremoto. Sobreviventes relatam falta de socorro oficial e a luta pela vida em meio à destruição.

Venezuelanos relatam terror e improvisam resgates após terremotos

A Venezuela vive dias de angústia e desespero após uma série de terremotos devastadores atingir o país. Sobreviventes narram o horror vivido durante os tremores, o colapso de edifícios e a luta pela própria vida em meio aos escombros. Famílias relatam a perda de entes queridos e criticam a demora e a falta de estrutura das equipes de resgate oficiais.

Em Laguaira, uma das cidades mais afetadas, o pescador Osvaldo descreveu a cena como um pesadelo. Ele conseguiu escapar com a neta, mas seu sobrinho, que morava no primeiro andar de um prédio que desabou completamente, ainda não foi encontrado. "Muita gente morreu. Saíram seis ou sete pessoas vivas", relatou, visivelmente abalado.

Carmen, conhecida como Tielita, também vivenciou o terror. Hospedada temporariamente em um edifício, ela sentiu o primeiro tremor, mas o segundo foi ainda mais intenso, levando a construção ao chão. Aderindo ao batente da porta da cozinha, ela esperou o prédio desmoronar. "Eu disse para mim mesma: 'Estou viva'", contou, após ficar cerca de cinco horas presa sob os escombros, com ferimentos nos braços e pernas, em meio à escuridão e ao pó.

## Falta de socorro oficial e resgates improvisados

Um ponto recorrente nos relatos é a ausência de equipes de resgate nos momentos iniciais após os sismos. Tielita afirmou que, seis horas após o desastre, "ainda não tinha aparecido nenhum bombeiro, nenhum policial. Só pessoas procurando por conta própria os seus parentes".

Nesse cenário de abandono inicial, a própria população se mobilizou. O primo de Tielita, Jesus Alberto, o Beto, percorreu atalhos de motocicleta até o local do desabamento. Com ferramentas emprestadas e a ajuda de voluntários, ele conseguiu localizar a prima. Uma mangueira de jardim foi improvisada como corda para auxiliar na retirada de Tielita dos escombros, antes que uma ambulância fosse parada para levá-la a um hospital.

## Histórias de esperança e angústia

Enquanto milhares de famílias buscam informações sobre desaparecidos, histórias como a de Tielita trazem um fio de esperança. No entanto, a tragédia deixou marcas profundas, como a morte de sua amiga Araceles, com quem chegou a conversar enquanto ambas estavam presas. A angústia se estende à família de Tielita, pois uma prima, seu marido e as duas filhas seguem desaparecidos após o desabamento de outro prédio na mesma cidade.

As equipes de busca continuam atuando nas áreas mais atingidas, na esperança de encontrar mais sobreviventes. A resiliência do povo venezuelano é destacada por muitos, que clamam por socorro e apoio para superar a devastação causada pelos terremotos.