Venezuela: Tragédia em números após terremotos
Terremotos na Venezuela deixam mais de 1.900 mortos e 50 mil desaparecidos. Equipes de resgate buscam sobreviventes em meio a destruição e condições adversas.

O saldo trágico dos terremotos que assolaram a Venezuela continua a crescer, com o número de mortos oficialmente divulgado pelo governo atingindo 1.943. A devastação causada pelos sismos em sequência, que atingiram a região norte do país, incluindo a capital Caracas, deixou um rastro de destruição sem precedentes na história recente do país.
As estatísticas revelam a magnitude do desastre: além das vítimas fatais, 10.571 pessoas foram feridas, um número que quase dobrou em relação aos balanços anteriores. As equipes de resgate, que atuam incansavelmente em meio a escombros de edifícios colapsados, conseguiram salvar 6.461 indivíduos com vida. No entanto, a esperança de encontrar mais sobreviventes diminui a cada hora que passa.
## Preocupação com Desaparecidos e Condições Críticas
Jorge Rodríguez, chefe do Parlamento venezuelano, apresentou o balanço atualizado, mas a Organização das Nações Unidas (ONU) projeta um cenário ainda mais sombrio: cerca de 50 mil pessoas ainda se encontram desaparecidas. A preocupação das autoridades e das famílias aumenta exponencialmente, pois os especialistas em resposta a desastres alertam que as primeiras 48 a 72 horas são cruciais para o resgate de sobreviventes. Após esse período, as operações tendem a focar na remoção de corpos.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da ONU, estima que mais de 6 milhões de venezuelanos possam ter sido afetados pelos tremores. As equipes de socorro enfrentam condições adversas, incluindo altas temperaturas e a necessidade de remover toneladas de entulho manualmente. O odor provocado pela decomposição dos corpos se intensifica a cada dia, adicionando uma camada de sofrimento à já caótica situação.
## Impacto e Esforços de Resgate
A região de La Guaira é a mais afetada, concentrando a maior parte da destruição. Caracas e Maiquetía, onde fica o principal aeroporto internacional do país, também sofreram danos significativos. Enquanto o Aeroporto Internacional Simón Bolívar permanece fechado, outros terminais, como o de Valência, já retomaram suas operações. A chegada de missões internacionais de resgate foi crucial, mas moradores relataram frustração inicial com a lentidão da resposta governamental, destacando o papel fundamental dos voluntários e da própria população nos primeiros socorros.
Os terremotos, que ocorreram na noite de quarta-feira (24), foram os mais fortes a atingir a Venezuela em mais de um século. A cidade de Caraballeda, no litoral norte, a aproximadamente 30 km da capital, foi palco de um novo tremor de magnitude 4,6 na segunda-feira (29). A Venezuela já havia registrado outros abalos sísmicos de menor intensidade na sexta-feira (26) e no domingo (28), aumentando a apreensão na população.