Turquia barra cruzeiro LGBT alegando "padrões morais"
Turquia impede cruzeiro LGBT de atracar em seus portos, citando "padrões morais" e "valores familiares". A Atlantis Events alterou o itinerário, com novas paradas no Egito e Grécia.

Autoridades turcas negaram permissão de atracação a um cruzeiro voltado para o público LGBTQ+ americano, citando "padrões morais" e "valores familiares" como justificativa. O navio, chamado Scarlet Lady e operado pela Virgin Voyages, tinha escalas planejadas em Kuşadası e Istambul como parte de um roteiro pelo Mediterrâneo.
A decisão, anunciada na quinta-feira (2), partiu de autoridades locais que alegaram que o navio, fretado pela empresa Atlantis Events, abrigava grupos com "comportamentos incompatíveis com os valores da nossa sociedade e com a nossa moral". A embarcação transportava aproximadamente 1.100 passageiros dos Estados Unidos, além de viajantes do Reino Unido, Canadá e Austrália, em uma viagem de dez dias.
Em resposta à proibição, a Atlantis Events informou que o itinerário do cruzeiro foi alterado, com novas paradas previstas para o Cairo, no Egito, e a ilha grega de Creta. Em comunicado aos passageiros, a empresa expressou a necessidade de modificar os portos de escala devido a "circunstâncias alheias à nossa vontade".
Rich Campbell, presidente e CEO da Atlantis Events, manifestou surpresa e preocupação com a decisão. "É bastante surpreendente, para ser honesto. Quer dizer, o motivo é que se trata de um grupo gay", declarou Campbell à CNN. Ele ressaltou que a empresa nunca havia sido informada antes que sua presença seria negada com base na identidade de seus passageiros. "É muito preocupante para mim quando um país decide que pode escolher quais turistas podem entrar e quais não", acrescentou.
Campbell enfatizou que a Atlantis Events não é uma organização política e que seu objetivo é proporcionar lazer e turismo, sempre com respeito às culturas locais. A empresa, que organiza cruzeiros há 36 anos, afirmou que esta foi a primeira vez que enfrentou uma recusa explícita com base na orientação sexual de seus clientes.
A proibição ocorre em um contexto de crescente restrição a eventos e manifestações LGBTQ+ na Turquia. Desde 2015, as Paradas do Orgulho LGBTQ+ em Istambul têm sido proibidas pelas autoridades, que citam preocupações com a segurança pública. O partido AKP, do presidente Tayyip Erdogan, tem adotado uma retórica mais conservadora em relação à comunidade LGBTQ+ na última década, gerando críticas de organizações de direitos humanos.
Autoridades da província de Aydın, onde fica Kuşadası, declararam que não havia "absolutamente nenhuma possibilidade" para o grupo realizar seu evento na região. Paralelamente, relatos indicam que a polícia em Istambul realizou uma operação em um bar após a divulgação de uma festa associada à Atlantis, embora Campbell tenha negado qualquer vínculo da empresa com o folheto em questão.