Terremotos na Venezuela agravam crise migratória e deixam milhares desabrigados
Terremotos na Venezuela causam novos desabrigados e agravam crise migratória. Milhares vivem em abrigos improvisados sem previsão de retorno.

A Venezuela vive um agravamento de sua já complexa crise migratória após uma série de terremotos que atingiram o país há quase uma semana. O abalo sísmico intensificou o drama dos deslocados internos, com milhares de pessoas perdendo suas casas ou tendo a estrutura de seus lares comprometida. Em La Guaira, cidade costeira severamente afetada, um estádio foi adaptado para abrigar cerca de 1.730 pessoas, distribuídas em mais de 300 famílias.
Sob calor intenso, os desabrigados enfrentam a incerteza sobre o futuro, dormindo sob estruturas improvisadas e aguardando por avaliações técnicas que determinem a segurança de suas residências. A falta de previsão para um possível retorno às casas gera apreensão, somando-se ao trauma de perder entes queridos e pertences. Wilmarys González, 45, moradora de La Guaira, relata que sua casa sofreu rachaduras e a perda de quatro familiares na tragédia, comparando o evento ao "desastre de La Guaira" de 1999.
"Levamos 27 anos para reconstruir La Guaira, e agora teremos de fazer tudo de novo", lamenta González, que vive no abrigo improvisado com seu primo e espera por uma solução. A situação é agravada pelos tremores secundários, que mantêm a população em estado de nervosismo e medo.
Apesar das dificuldades, a solidariedade se manifesta com doações de roupas e medicamentos, organizados por voluntários e agentes policiais. A ONG World Central Kitchen tem distribuído refeições quentes e sanduíches, além de contratar cozinheiros locais para impulsionar a economia da região. No entanto, a escala do problema é imensa, com a crise de deslocados internos se somando ao êxodo de mais de 8 milhões de venezuelanos que já deixaram o país.
O governo ainda não apresentou um cronograma para as avaliações técnicas necessárias para determinar a segurança das edificações afetadas, deixando os desalojados em um limbo de esperança e desespero. A situação na Venezuela expõe a fragilidade da infraestrutura e a vulnerabilidade de uma população já castigada por anos de crise econômica e social, agora confrontada por um desastre natural que intensifica um drama humano persistente.