Terremoto na Venezuela: EUA intervém e barra retorno de opositora

Terremoto na Venezuela: EUA enviam ajuda e tropas, mas bloqueiam retorno da opositora María Corina Machado, em meio a forte desaprovação ao governo chavista.

Terremoto na Venezuela: EUA intervém e barra retorno de opositora

A Venezuela enfrenta um cenário complexo após um devastador terremoto que deixou centenas de mortos, mais de 15 mil desabrigados e cerca de 885 edifícios danificados, sendo 189 totalmente colapsados. Em meio à tragédia, os Estados Unidos assumiram um papel proeminente, com tropas americanas sendo celebradas pela população local. Fontes do setor de ajuda humanitária dos EUA indicaram ao jornal LA NACION que o objetivo é permanecer no país até a conclusão da reconstrução da área costeira de La Guaira, próxima à capital Caracas.

## Intervenção americana e o poder em jogo

A atuação dos EUA, que possuem tecnologia e recursos financeiros para a reconstrução, ocorre em um momento de fragilidade do governo chavista, liderado por Delcy Rodríguez. A incompetência na gestão da crise pós-terremoto, que registrou 890 tremores secundários, permitiu aos EUA capitalizar a situação para fortalecer sua influência, especialmente após a captura de Nicolás Maduro em janeiro. Um porta-voz do Departamento de Estado americano afirmou que o foco é a resposta humanitária, mas os movimentos em solo venezuelano indicam uma estratégia geopolítica mais ampla.

## Bloqueio a María Corina Machado

Paralelamente à ajuda humanitária, a Casa Branca tem obstruído o retorno da proeminente líder opositora María Corina Machado à Venezuela. Apesar de Machado acreditar que sua presença poderia estabilizar o país em um momento de ausência estatal, duas tentativas frustradas de retorno foram barradas. Em uma delas, um funcionário do governo americano pressionou a companhia aérea a cancelar o voo de volta à origem, mesmo após o avião já ter decolado. Essa ação demonstra a desconfiança de Washington em relação à opositora, em um contexto de luto nacional e indignação popular contra a gestão do governo.

## Disputa pela opinião pública

Pesquisas de opinião indicam um cenário de forte desaprovação ao governo. Uma pesquisa da AtlasIntel, realizada para a Bloomberg, aponta que a desaprovação dos irmãos Rodríguez (Delcy e Jorge) pela condução da crise ultrapassou os 20 pontos percentuais desde fevereiro, chegando a 65,4%. Delcy Rodríguez possui 24% de aprovação, superando as Forças Armadas, também criticadas. María Corina Machado, por outro lado, consolida uma imagem positiva com 53% dos entrevistados.

## Futuro incerto e estratégias de oposição

Fontes próximas a Machado indicam que ela explorará todas as vias para retornar ao país o mais rápido possível, buscando um acordo com Washington para garantir sua livre passagem. A líder opositora conta com o apoio de uma vasta rede de voluntários, que atuaram em defesa do voto durante as eleições, e de figuras importantes como Edmundo González Urrutia e Henry Alviárez. Enquanto isso, o governo de facto tenta capitalizar a divisão entre Washington e a oposição, mas enfrenta dificuldades em convencer a população sobre a eficácia de suas ações diante da tragédia e da crise generalizada.