Campo de Golfe na Venezuela Vira Abrigo Pós-Terremoto
Antigo campo de golfe de luxo na Venezuela vira abrigo e centro de ajuda humanitária após terremotos devastadores em Caraballeda, acolhendo desabrigados e feridos.

A cidade de Caraballeda, no litoral noroeste da Venezuela, exibe um cenário desolador após os violentos terremotos que abalaram a região. O que antes era um ícone de opulência e lazer, o Caraballeda Golf & Yacht Club, transformou-se radicalmente, tornando-se um epicentro da crise humanitária.
## Símbolo de Luxo em Ruínas
Na década de 1990, Caraballeda despontava como um dos destinos mais prósperos e turísticos da Venezuela. Com hotéis de luxo, restaurantes sofisticados, condomínios com piscinas e um píer repleto de iates, a cidade irradiava riqueza. O campo de golfe, com seus gramados meticulosamente cuidados, era um dos cartões de visita dessa era dourada. Contudo, os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5, ocorridos em rápida sucessão na última quarta-feira, reescreveram a história da cidade, deixando um rastro de destruição.
## Novo Propósito em Meio à Tragédia
Os prédios desabados formam montanhas de concreto e metal retorcido em bairros como Caribe e Tanaguarena, onde a remoção de escombros ainda engatinha. Em meio a essa devastação, o antigo campo de golfe emergiu como um ponto crucial de apoio. Seus gramados verdes foram adaptados para abrigar um hospital improvisado, que atende feridos resgatados dos escombros. Ao lado, montanhas de roupas doadas e caixas de ajuda humanitária aguardam distribuição.
## Centro de Operações e Refúgio
Uma área do campo foi designada como pista de pouso para helicópteros que transportam suprimentos e equipes de resgate de outras regiões da Venezuela e do exterior. Outra porção do terreno transformou-se em um refúgio para centenas de famílias que perderam suas casas e todos os seus bens. Em meio ao caos, a resiliência humana se manifesta, com pessoas tentando reconstruir suas vidas sobre os escombros do que um dia foi um símbolo de prosperidade.
## Impacto e Desafios
Milagros González, moradora do conjunto habitacional Caribe, relatou o medo e a urgência de fugir de seu prédio, que apesar de inabitável, não desabou completamente. "Saímos vivas, que é o que importa", disse, enquanto suas filhas brincavam em um colchão no gramado do campo de golfe. A psicóloga que a acompanha explica que os transtornos de sono e a sensação constante de tremor são parte do processo de superação.
As ruas de Caraballeda, rachadas e cobertas de destroços, ecoam o silêncio perturbador da tragédia, quebrado apenas pelo barulho das máquinas pesadas. O calor úmido e um odor persistente, descrito por alguns como "cheiro de sangue", misturado à poeira e concreto, tornam o ambiente sufocante. O Ministro do Interior, Diosdado Cabello, confirmou que a região é uma das mais atingidas, com pelo menos 1.700 mortos e milhares de desabrigados, mas a ONU estima 50 mil desaparecidos, uma realidade especialmente sentida em Caraballeda.
Equipes internacionais de resgate chegaram para auxiliar nas buscas, mas a escala da destruição revela a insuficiência da ajuda diante da magnitude do desastre. A transformação do Caraballeda Golf & Yacht Club de um palco de opulência para um símbolo de resiliência e solidariedade em meio à devastação, marca um novo e doloroso capítulo na história da Venezuela.