Mato Grosso do Sul: Barreiras combatem erosão na Bacia do Taquari
Mato Grosso do Sul implementou 721 km de barreiras para conter erosão na Bacia do Taquari, protegendo 3.118 hectares. Projeto também recupera estradas e rede de coletores de sementes gera renda.

A Bacia do Rio Taquari, em Mato Grosso do Sul, recebeu um reforço significativo na proteção contra a erosão. Entre 2022 e 2025, foram implantados 721,8 quilômetros de terraços em quatro municípios do estado: Coxim, Bonito, Figueirão e Alcinópolis. Essas intervenções visam proteger 3.118 hectares de áreas cultiváveis e reduzir a quantidade de sedimentos carregados para os rios.
As ações fazem parte do projeto Prosolo e também incluem a recuperação de 67,4 quilômetros de estradas rurais e vicinais. O objetivo principal é diminuir a velocidade da água das chuvas, evitando que ela arraste a camada superficial do solo, rica em nutrientes essenciais para a agricultura. A erosão na região é um problema que se agrava com o transporte de solo das áreas mais altas para os rios, contribuindo para o assoreamento e impactando a planície pantaneira.
A estratégia adotada combina a conservação do solo dentro das propriedades rurais com a correção de estradas que podem funcionar como condutos para enxurradas. Desde 2024, o programa integra uma política estadual sob a gestão da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).
## Sementes Nativas Geram Renda e Restauram o Cerrado
Paralelamente às obras de contenção da erosão, um projeto inovador tem promovido a geração de renda e a restauração ambiental. A Rede de Sementes Flor do Cerrado, criada em 2022, conecta mais de 100 coletores de sementes nativas, em sua maioria mulheres de comunidades quilombolas e assentamentos rurais. Atuando em municípios como Figueirão, Sidrolândia, Nioaque e Corguinho, a rede coleta sementes de espécies nativas, que posteriormente abastecem projetos de recuperação da vegetação.
Essa iniciativa estabelece um elo entre a conservação ambiental e o desenvolvimento socioeconômico. As famílias envolvidas recebem remuneração pela atividade extrativista, e o material coletado é utilizado em ações de restauração em áreas estratégicas para a manutenção dos corredores de biodiversidade, como os que ligam Figueirão ao Rio Negro e Jaraguari, e Miranda à Bodoquena. A rede é fruto de uma parceria entre o Instituto Taquari Vivo, o WWF-Brasil e a Associação de Restauração Ecológica e Inclusão Social.
O diretor-executivo do Instituto Taquari Vivo, Renato Roscoe, ressalta a importância de unir diferentes setores na discussão sobre o futuro do bioma. Ele enfatiza a necessidade da participação de todos os atores para estimular a troca e a difusão de conhecimento, visando um futuro sustentável para o Pantanal e o Cerrado.