BNDES impulsiona R$ 6 bi para crédito de carbono e reflorestamento
BNDES lança nova fase do ProFloresta+ com meta de R$ 6 bi para crédito de carbono. Programa incentiva restauração de 60 mil hectares em todos os biomas brasileiros e atrai empresas para compensação ambiental.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deu um passo significativo na promoção da sustentabilidade ambiental com o lançamento da segunda etapa do programa ProFloresta+. A iniciativa, anunciada nesta quinta-feira (2), tem como objetivo principal estimular o mercado de crédito de carbono no Brasil, com a meta de mobilizar até R$ 6 bilhões. Esta nova fase expande o alcance para todos os biomas do país, buscando restaurar até 60 mil hectares de vegetação.
## Duas Frentes de Ação para Impacto Ambiental
O programa opera em duas vertentes estratégicas. A primeira envolve o chamamento de empresas interessadas em adquirir créditos de carbono, organizando leilões para a compra desses títulos. Esses créditos funcionam como uma forma de compensação ambiental, permitindo que atividades emissoras de CO2 possam mitigar seu impacto.
A segunda frente de atuação do BNDES é o financiamento de projetos que geram esses créditos. Na prática, o banco oferecerá crédito para iniciativas de recuperação de áreas degradadas, como o plantio de árvores. Essa abordagem visa não apenas a compensação, mas também a regeneração ativa do meio ambiente.
## O Que é o Mercado de Carbono e Sua Importância
O dióxido de carbono (CO2) é reconhecido como um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa e, consequentemente, pelo aquecimento global. O mercado de carbono foi criado como um mecanismo para gerenciar e reduzir essas emissões. Ele funciona com base na negociação de créditos que representam a redução ou remoção de CO2 da atmosfera.
Um projeto que, por exemplo, recupera uma área desmatada ou protege ecossistemas naturais contribui para o chamado "sequestro de carbono". Essa ação gera créditos que podem ser comercializados. Empresas com atividades poluidoras podem comprar esses créditos para cumprir metas de descarbonização e compensar suas emissões, promovendo um ciclo virtuoso de responsabilidade ambiental.
## Ampliação e Expectativas para a Nova Etapa
O BNDES estima que a nova fase do ProFloresta+ possa resultar na captura de até 19 milhões de toneladas de CO2 da atmosfera. A primeira etapa do programa, lançada em março de 2025, contou com o apoio fundamental da Petrobras, que se comprometeu a investir R$ 450 milhões na aquisição de créditos, focada inicialmente na Amazônia.
Na versão atualizada, o banco espera atrair um leque mais amplo de setores industriais, incluindo empresas de petróleo, gás, siderúrgicas, químicas e outras com metas de redução de emissões. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que grandes corporações internacionais também manifestaram interesse em adquirir créditos de carbono no Brasil, sinalizando o potencial de crescimento do mercado no país.
## Integração entre Meio Ambiente e Desenvolvimento
Durante o anúncio, realizado no 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, no Rio de Janeiro, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Ribeiro Capobianco, reforçou a visão do governo de que não existe conflito entre a agenda ambiental e o desenvolvimento econômico. "Um esforço que fizemos foi integrá-las", afirmou o ministro, sublinhando a importância de políticas públicas que conciliem a conservação ambiental com o progresso sustentável.