STF julgará sucessão de mandato-tampão no Rio de Janeiro

STF julgará em agosto se eleição para governador interino do Rio de Janeiro será direta ou indireta. Processo liberado por Flávio Dino define futuro do mandato-tampão.

STF julgará sucessão de mandato-tampão no Rio de Janeiro

O Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para julgar um processo crucial que definirá a forma como o Rio de Janeiro elegerá seu governador interino. O ministro Flávio Dino, responsável pela relatoria do caso, liberou o processo para julgamento, com a expectativa de que a decisão ocorra em agosto, após o período de recesso da Corte.

O cerne da questão reside na disputa sobre a realização de eleições diretas, escolhidas pelo voto popular, ou indiretas, decididas pelos deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), para preencher o mandato-tampão. Atualmente, o estado é administrado interinamente por Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

A ação foi impulsionada pelo diretório estadual do PSD, que contesta a decisão inicial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em março, o TSE havia determinado a realização de eleições indiretas após a condenação do então governador Cláudio Castro à inelegibilidade. Castro, contudo, renunciou ao cargo antes do julgamento, uma manobra que o PSD aponta como tentativa de forçar a eleição indireta, impedindo que o povo decidisse diretamente quem ocuparia o posto.

A necessidade de um mandato-tampão surge da ausência de um vice-governador no Rio de Janeiro. O ex-vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. O próximo na linha sucessória, o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, também teve seu mandato cassado na mesma decisão do TSE que atingiu Castro, deixando o estado em uma situação de vácuo sucessório.

A liberação do processo por Flávio Dino para julgamento no STF coloca a Corte diante da responsabilidade de arbitrar sobre os mecanismos democráticos de sucessão em um cenário político complexo. A decisão final poderá ter implicações significativas para a governabilidade do estado e para a percepção pública sobre a legitimidade dos processos eleitorais em casos de vacância de cargos executivos.