Mansão de R$ 10 milhões: Richarlison e disputa judicial reascendem caso
Disputa judicial por mansão de R$ 10 milhões em Angra dos Reis reascende após Richarlison alegar ter sido "tomado". Caso envolve senador Flávio Bolsonaro como testemunha.

A polêmica em torno de uma mansão de luxo em Angra dos Reis (RJ), avaliada em R$ 10 milhões, ganhou novo fôlego após o atacante Richarlison, do Tottenham, expor a situação em suas redes sociais. O jogador declarou ter perdido o imóvel mesmo após o pagamento, reavivando uma disputa judicial que se arrasta há quase seis anos e que, em seu desenrolar, chegou a contar com o depoimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como testemunha. É importante notar que Flávio Bolsonaro nunca figurou como parte no processo, mas seu nome surgiu nos autos devido a visitas à propriedade antes da conclusão da negociação e, posteriormente, acompanhado do advogado Willer Tomaz, figura central na disputa pela posse do bem.
A repercussão recente iniciou-se com uma resposta de Richarlison a uma publicação no Instagram. "Realmente gastei em torno de 10 milhões lá. E simplesmente me tomaram. E estou até hoje sem receber a minha grana", escreveu o atleta. A postagem original, feita por uma advogada especializada em direito imobiliário para explicar conceitos de posse e propriedade, acabou sendo retirada do ar e a profissional divulgou uma retratação, alegando imprecisões sobre o estado atual do litígio.
## Origens do Conflito
O embate judicial tem suas raízes em 2020, quando a Sport 70, empresa associada a Richarlison e ao empresário Renato Velasco, adquiriu a mansão em Angra dos Reis. Pouco tempo depois, empresas ligadas ao advogado Willer Tomaz apresentaram reivindicações de direitos possessórios anteriores sobre a mesma área, argumentando que a ocupação do imóvel precedia a compra efetuada pela companhia do jogador. Desde então, o cerne da discussão judicial tem sido a complexa distinção entre propriedade e posse, um tema recorrente no direito imobiliário.
Enquanto a equipe de Richarlison defende a legalidade da aquisição da propriedade, o grupo representado por Willer Tomaz alega possuir direitos possessórios que teriam precedência sobre o registro de compra. O caso ganhou notoriedade pública em setembro de 2022, após uma reportagem.
## Decisão do STJ
Em 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu uma decisão que manteve o entendimento favorável às empresas ligadas a Willer Tomaz. Ao analisar o recurso interposto pela empresa de Richarlison, o ministro relator, Ricardo Villas Bôas Cueva, considerou que uma análise mais aprofundada do caso exigiria um reexame de provas e a interpretação de cláusulas contratuais que já haviam sido avaliadas pelas instâncias inferiores. Tais procedimentos são vedados em recursos especiais.
"Nesse contexto, não há como afastar a incidência das Súmulas 5 e 7 do STJ, visto que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos e a interpretação de cláusula contratual, procedimentos inviáveis ante a natureza excepcional da via eleita", registrou o ministro. Com a manifestação pública de Richarlison, a disputa volta a ser tema de interesse, trazendo à tona a participação de personagens que, apesar de não serem partes diretas, foram envolvidos no desenrolar do caso.