Julgamento de PMs por morte de delator do PCC é anulado após briga

Julgamento de PMs acusados de matar delator do PCC em SP é anulado após briga entre defesa e acusação. Sessão remarcada para 2027.

Julgamento de PMs por morte de delator do PCC é anulado após briga

O julgamento de policiais militares acusados de participar da morte do empresário Vinicius Gritzbach, delator do PCC (Primeiro Comando da Capital), foi anulado após um intenso embate verbal entre a defesa e a promotoria no plenário do Tribunal do Júri, em São Paulo. A sessão, que acontecia na segunda-feira (22), foi suspensa e remarcada apenas para 2027.

Imagens obtidas pela reportagem mostram o momento em que as provocações escalaram para ofensas pessoais e acusações mútuas, culminando com a saída da defesa do plenário. O clima de tensão já era perceptível desde o início do julgamento, com as partes trocando farpas.

## Estopim da discórdia

O ponto de ruptura ocorreu durante o depoimento de um capitão da Polícia Militar. A defesa dos réus acusou o promotor de tentar introduzir no processo um fato alheio ao caso, mencionando um suposto atentado sofrido pelo advogado de defesa Mauro Ribas. Segundo os advogados, essa menção seria uma tentativa de desviar o foco e associar a defesa a atividades criminosas.

O promotor, por sua vez, buscava conectar o depoimento do capitão a uma suposta contradição na tese defensiva, levantando a hipótese de que um inquérito policial militar anterior poderia ter sido manipulado. A defesa reagiu duramente, acusando o Ministério Público de "cinismo" ao constatar que um perito da acusação teve acesso prévio a documentos sigilosos da defesa.

## Acusações e saída da defesa

Um dos advogados de defesa questionou diretamente o capitão se ele teria alinhado suas declarações com o promotor antes da sessão. Diante do que consideraram "criminalização da advocacia" e "postura lamentável" do promotor, os defensores anunciaram que não aceitariam continuar no julgamento. Chamando o promotor de "covarde" e "mentiroso", eles deixaram o plenário.

## Conflito se estende e júri é adiado

As divergências e as narrativas conflitantes ultrapassaram os limites do tribunal. Tanto a acusação quanto a defesa apresentaram suas versões dos fatos após a suspensão. O promotor Rodrigo Merli Antunes sustentou que a defesa fabricou narrativas e que o depoimento do capitão evidenciou uma "fraude" arquitetada pelos advogados. Já o advogado de defesa, Claudio Dalledone, classificou o ocorrido como "crônica de uma tragédia anunciada" e prometeu representar contra o promotor.

Com a anulação da sessão e a saída da defesa, o destino dos réus Denis Martins, Ruan Rodrigues e Fernando Genauro da Silva, que permanecem presos, e o veredito do caso foram adiados. Familiares dos réus protestaram contra a decisão, clamando pela continuidade do julgamento. A nova data para o júri está marcada apenas para 2027, prolongando a incerteza sobre o desfecho do caso Gritzbach.