Julgamento de PMs é anulado após embate entre defesa e acusação

Julgamento de três PMs acusados de assassinar delator do PCC em Guarulhos é anulado após embate entre defesa e acusação. Encontro entre promotor e perito gera polêmica.

Julgamento de PMs é anulado após embate entre defesa e acusação

Um dos julgamentos mais aguardados do ano no Fórum Criminal de Guarulhos, que apura a morte do empresário e delator do PCC, Antônio Vinícius Gritzbach, foi anulado após uma série de discussões acaloradas entre a acusação e a defesa dos três policiais militares réus. O clima de tensão culminou com o abandono do plenário pelos advogados de defesa, levando o juiz a suspender o júri.

O estopim para a crise ocorreu quando a defesa questionou um encontro entre o promotor e o perito responsável pela coleta de provas, incluindo exames de DNA que supostamente ligam dois dos acusados ao crime. Um dos advogados da defesa provocou o promotor, insinuando uma tentativa de combinar depoimentos: "Quer combinar com a testemunha de novo? O senhor quer 5 minutinhos para falar com ele?". A acusação reagiu afirmando que "com matador de aluguel, o senhor conversa".

## Contestações sobre perícia e embate com a defesa

As provas de DNA, coletadas na maçaneta de um carro abandonado próximo ao local do crime e em roupas apreendidas, apontariam o envolvimento dos policiais militares Juan Silva Rodrigues e Denis Martins como executores do assassinato. No entanto, a defesa contestou a validade dessa perícia, apresentando um parecer técnico que indicava supostas falhas na coleta e análise do material genético. O perito da polícia, por sua vez, rebateu as alegações, afirmando que a perita da defesa teria confundido documentos distintos.

## Tensão e anulação do júri

A alegação da defesa sobre o encontro entre promotor e perito, ocorrido pouco antes do início do julgamento, intensificou o embate. Os advogados argumentaram que, se uma situação similar ocorresse com a defesa, o Ministério Público poderia interpretar como interferência no processo. Especialistas ouvidos pela reportagem esclareceram que a legislação brasileira não impede a conversa entre promotores e testemunhas antes do julgamento, desde que não haja sugestão de conteúdo. Apesar disso, a sequência de confrontos, que incluiu discussões durante o interrogatório de testemunhas, levou à saída da defesa do plenário. Diante da situação, o juiz anulou o julgamento.

## Novo júri e acusações

Os três réus, Fernando Genauro, Juan Silva Rodrigues e Denis Martins, negam qualquer participação na execução de Antônio Vinícius Gritzbach, que foi morto a tiros em novembro de 2024. Um novo júri foi marcado para 22 de fevereiro de 2027.