Ressaca Pós-Vitória: Como Aliviar os Sintomas do Excesso de Álcool

Especialista detalha como o corpo reage ao álcool e oferece dicas de prevenção e tratamento para a ressaca após comemorações de vitórias da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.

Ressaca Pós-Vitória: Como Aliviar os Sintomas do Excesso de Álcool

A recente classificação do Brasil para as oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, após uma virada emocionante contra o Japão com gol de Gabriel Martinelli, promete impulsionar as celebrações entre os torcedores. No entanto, o aumento no consumo de bebidas alcoólicas durante esses momentos festivos frequentemente resulta em ressaca no dia seguinte. Para entender os mecanismos do corpo e como mitigar esses efeitos, o hepatologista Rogério Alves, da Beneficência Portuguesa de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), compartilhou insights valiosos.

A ressaca é, essencialmente, a resposta do organismo ao esforço para processar o álcool. O fígado desempenha o papel central nesse processo, gerando acetaldeído, um composto tóxico, durante a metabolização da bebida. "Quando a gente bebe demais, o fígado precisa formar esses metabólitos. O acúmulo dessas substâncias, que o fígado não consegue metabolizar adequadamente, é o que dá a ressaca", explica Alves. A gravidade dos sintomas – como dor de cabeça, náuseas e fadiga – geralmente se correlaciona com a quantidade de álcool ingerida.

Um padrão de consumo preocupante, especialmente em partidas decisivas, é o "binge drinking", caracterizado pela ingestão de grandes volumes de álcool em curtos períodos. "Quem bebeu só no jogo e bebeu muito rápido, provavelmente vai ter um pico de alcoolemia, um nível sérico de álcool mais rápido e maior no organismo", alerta o especialista. Esse consumo acelerado pode levar a uma euforia inicial, seguida por sonolência e alterações de humor, devido à ação depressora do álcool no sistema nervoso central.

**Prevenção é a Chave para Evitar o "Day After"**

A prevenção da ressaca deve começar antes mesmo do primeiro gole. Segundo o Dr. Rogério Alves, não existem medicamentos com eficácia comprovada para impedir o mal-estar, e a promessa de suplementos nessa área ainda carece de comprovação científica robusta. A regra de ouro é clara: jamais beber de estômago vazio. "O ideal é você se hidratar junto, porque você vai diluir o tanto de álcool. E quando você come e bebe junto, diminui a velocidade de absorção da bebida, pois com o estômago vazio a absorção é muito mais rápida", aconselha.

Alternar cada dose de bebida alcoólica com um copo de água é outra estratégia eficaz. Essa prática não só mantém o corpo hidratado, mas também contribui para a redução do volume total de álcool consumido. A combinação de alimentos e a hidratação adequada são cruciais para retardar a absorção do álcool e minimizar os efeitos negativos.

**Alívio e Recuperação Pós-Excesso**

Caso o consumo excessivo ocorra, o foco do tratamento da ressaca se volta para a hidratação intensa. "O que ajuda é tentar tomar bastante líquido, porque isso acaba ajudando a 'lavar' e depurar esse metabólito do álcool no organismo", afirma o hepatologista. Além da água, o repouso é fundamental para a recuperação. Para dores de cabeça e outros desconfortos, o uso de medicamentos analgésicos pode ser considerado, sempre sob orientação médica e com a ressalva de não misturá-los com álcool.

Com a Seleção Brasileira já focada no próximo desafio das oitavas de final, o Dr. Alves reforça a importância de moderação para que as comemorações não se transformem em um problema de saúde. "A maior regra é não achar que o mundo vai acabar amanhã. O problema das pessoas é achar que o mundo vai acabar nas oitavas de final. A Copa do Mundo tem de novo daqui a quatro anos", conclui, incentivando os torcedores a celebrarem com responsabilidade.