Remada Viking: Torcedor Norueguês Explica Fenômeno Viral na Copa
A 'remada viking', criada pelo professor norueguês Ole Frøystad, viralizou na Copa do Mundo 2026. O cântico e o movimento inspirados na cultura nórdica unem torcedores e celebram a identidade da Noruega.

A Copa do Mundo de 2026 está sendo marcada por um fenômeno viral que transcendeu as quatro linhas: a "remada viking". Originada nos estádios e pontos turísticos dos Estados Unidos, a celebração contagiou torcedores e se espalhou globalmente, gerando admiração e até mesmo imitações em locais inusitados, como creches, asilos e o Congresso na Noruega. A iniciativa chegou a pontos icônicos como a Times Square, em Nova York, e até mesmo à Praia do Leme, no Rio de Janeiro, onde o Consulado Norueguês organizou uma "remada" coletiva.
Por trás dessa febre está Ole Frøystad, um professor de Ensino Fundamental em Oslo, de 37 anos, e natural de Leinøya, uma ilha na costa oeste norueguesa. Frøystad, que nutre um antigo sonho de ser jogador de futebol, encontrou nas horas vagas uma forma de apoiar a seleção de seu país. Ele é um dos responsáveis pela "Oljeberget", a torcida organizada que acompanha a equipe em sua jornada pelos Estados Unidos, atualmente em Arlington, Texas, para enfrentar a Costa do Marfim.
## A Origem do Canto "Ro!"
Em seu papel como animador da torcida, Frøystad é o guardião dos cânticos, sendo o mais célebre o "Ro! Ro!". A expressão, que em inglês significa "row" (remar), inspirou o movimento que imita vikings em seus barcos, uma clara alusão à identidade norueguesa. A ideia, segundo Frøystad, surgiu há muitos anos, quando ouvia os torcedores dividindo o nome do clube Rosenborg em sílabas. O som inicial, "Ro", o cativou pelo impacto e energia que gerava no estádio. Ao se aproximar da classificação para a Copa, Frøystad sentiu a necessidade de criar um canto distintivo para a Noruega, algo que representasse suas origens.
## Do Estádio ao Streaming: O Caminho para o Sucesso
O desenvolvimento do cântico não foi imediato. Frøystad e a "Oljeberget" buscaram criar um ritmo simples e objetivo, com duas batidas para embalar a torcida. Utilizando seu celular, ele gravou diversas versões até chegar ao "Ro!" que viralizou. O sucesso, segundo ele, foi impulsionado pelo apoio da federação norueguesa de futebol. A criação não se limitou aos estádios; foi transformada na música "Vikingblod", em colaboração com o artista norueguês Katastrofe. A faixa, que inclui letras sobre a conquista da Europa e a identidade norueguesa, rapidamente se tornou a mais ouvida via streaming na Noruega, acumulando mais de 3,3 milhões de reproduções e mantendo a liderança.
## Um Fenômeno de Unidade e Alegria
Frøystad expressou sua surpresa com a magnitude do fenômeno, que ele desejava que fosse uma "revolução" para a Noruega na Copa. "Ele se tornou tão massivo por causa dos torcedores da Noruega. Alcançou um público amplo, o que significa ver pessoas de diferentes nações sentadas, remando juntas e se divertindo. Ele está criando unidade, alegria e felicidade. É mais do que eu poderia ter sonhado. Fico agradecido por reunir as pessoas de uma forma tão bonita", declarou Frøystad, frequentemente visto usando seu chapéu viking dourado.
O sucesso da "remada viking" também impactou a vida pessoal de Frøystad. Sua conta no Instagram, "Senhor Row Row", cresceu exponencialmente, ultrapassando 70,5 mil seguidores, com muitos fãs brasileiros demonstrando apoio nos comentários. Ele também tem sido presença em programas de destaque da televisão americana, como o "Good Morning America" e "The View", da ABC.
## Inspiração para Outras Torcidas
Questionado sobre como outras torcidas, como a do Brasil, poderiam se inspirar no êxito da "remada viking", Frøystad enfatizou a importância da cultura e da união. Ele destacou que o cântico norueguês nasceu de uma profunda conexão com a identidade do país e da capacidade de engajar pessoas de diferentes origens em uma celebração comum. A simplicidade e a energia do movimento foram cruciais para sua disseminação, mostrando que a paixão pelo esporte pode transcender barreiras e criar momentos de pura alegria e pertencimento coletivo.