TCU pressiona e Tesouro revisa aval para novo empréstimo dos Correios

Tesouro Nacional reavalia procedimentos de garantia soberana para empréstimos dos Correios após críticas do TCU sobre análise de risco em operação anterior.

TCU pressiona e Tesouro revisa aval para novo empréstimo dos Correios

O Tesouro Nacional se prepara para reavaliar seus procedimentos na concessão de garantias soberanas para novos empréstimos aos Correios. A decisão surge em resposta a um processo instaurado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que investiga a condução da operação de crédito anterior, realizada no final de 2025. Naquela ocasião, os Correios obtiveram R$ 12 bilhões junto a cinco bancos, incluindo Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, com a União atuando como fiadora. A garantia soberana implica que o governo federal assume a responsabilidade pelo pagamento da dívida caso a empresa não consiga honrar seus compromissos.

## Críticas do TCU

O TCU apontou que a análise de risco para conceder a garantia soberana não teria sido realizada com a profundidade necessária, considerando a magnitude da operação e a situação financeira delicada dos Correios. A corte de contas entende que a capacidade de pagamento da estatal, dependente do sucesso de seu plano de reestruturação, exigia uma verificação mais detalhada das premissas e da consistência do plano. A garantia foi concedida apenas dois dias após o envio formal do contrato ao Tesouro Nacional, e a versão definitiva do plano de reestruturação foi apresentada apenas três dias antes da decisão, o que levantou suspeitas sobre a celeridade e a profundidade da análise.

## Risco fiscal e responsabilidade de gestores

Segundo o TCU, a União assumiu um "risco fiscal relevante" ao flexibilizar regras para permitir o acesso dos Correios ao empréstimo, baseando-se em resultados futuros esperados. A abertura do processo de responsabilização de gestores acendeu um alerta no Tesouro Nacional, pois servidores podem responder pessoalmente por eventuais irregularidades. Em decorrência disso, o Ministério da Fazenda iniciou discussões para aprimorar os processos internos de avaliação.

## Novo empréstimo e desafios

Paralelamente à revisão interna, o governo também está recorrendo da decisão do TCU. A reestruturação dos processos pode resultar em mudanças formais em portarias ou apenas na prática dos técnicos responsáveis pela avaliação. O objetivo, segundo técnicos, não é paralisar as análises, mas sim garantir que a União verifique a credibilidade dos planos de reestruturação das estatais antes de conceder garantias. Os Correios buscam agora um novo crédito de mais de R$ 7 bilhões, com previsão de contratação ainda em 2026. Diferentemente da operação anterior, bancos privados podem ter um apetite maior para participar desta nova captação, pois Caixa e Banco do Brasil demonstraram baixo interesse. A frustração de metas do Programa de Demissão Voluntária (PDV) acabou, paradoxalmente, ajudando a estatal a manter mais recursos em caixa, reduzindo a necessidade de desembolso com incentivos. Contudo, o principal obstáculo para a nova contratação permanece o imbróglio com o TCU, que dificulta o avanço da análise sem uma definição clara sobre os recursos e a responsabilização de servidores.