Picanha e outros cortes de carne bovina disparam de preço em 2024
Carne bovina, incluindo picanha, alcatra e filé-mignon, teve alta de até 10,9% no primeiro semestre de 2024. Exportações para China e oferta restrita pressionam preços.

Os preços da carne bovina apresentaram uma escalada significativa no primeiro semestre de 2024, impactando diretamente o orçamento dos brasileiros. A picanha, corte tradicionalmente associado ao churrasco, registrou um aumento de 10,66%, enquanto a alcatra subiu 9,48% e o filé-mignon, 10,2%. Outros cortes populares como o peito bovino e o acém também sofreram valorizações expressivas, com altas de 10,9% e 9,33%, respectivamente. As menores variações foram observadas no patinho (6,61%) e cupim (5,75%).
Especialistas apontam a forte demanda por exportações, especialmente para a China, como principal fator para o encarecimento da carne no mercado interno. A corrida para atender às cotas de exportação antes do fim de prazos específicos reduziu a oferta disponível no Brasil. Apesar de uma possível redução temporária no ritmo de compras chinesas, a tendência é de novos aumentos até o final de 2026, influenciada por fatores como o El Niño e a demanda internacional.
Apesar de o consumo interno ter sido afetado pelo baixo poder de compra da população, a oferta restrita no país supera o impacto da demanda. A consultoria Safras & Mercado prevê um cenário de oferta apertada e demanda aquecida nos próximos meses, o que deve manter os preços da carne bovina em alta. A União Europeia, que suspendeu temporariamente as importações, representa uma parcela pequena das exportações brasileiras, tendo um impacto mais simbólico do que econômico direto nos preços.