Petróleo em alta: BCE prevê preços elevados por anos

BCE prevê que preços do petróleo permanecerão elevados por anos, acima dos níveis pré-conflito, impactando a inflação. Autoridades admitem surpresa com a queda recente, mas alertam para restrições de oferta.

Petróleo em alta: BCE prevê preços elevados por anos

O Banco Central Europeu (BCE) sinaliza que os preços do petróleo devem se manter em patamares elevados por um período prolongado, possivelmente por anos. Philip Lane, economista-chefe da instituição, destacou em entrevista à Bloomberg TV que a persistência de cotações do barril acima do nível anterior ao conflito no Oriente Médio representa um "impulso de aumento de custos" para a economia global.

Lane observou que, apesar da melhora na confiança econômica e empresarial na zona do euro, os indicadores ainda não retornaram aos níveis pré-guerra. A declaração surge em um momento em que o preço do petróleo Brent oscila em torno de US$ 74, valor superior aos cerca de US$ 72 registrados antes do início das hostilidades em fevereiro. O BCE, que elevou as taxas de juros recentemente, avalia os próximos passos na política monetária, mesmo com a queda nos preços do petróleo após um possível acordo de paz na região.

Joachim Nagel, presidente do banco central alemão, admitiu que a queda nos preços da energia foi mais rápida do que o esperado pelo BCE. A projeção anterior da instituição indicava que o Brent cairia para US$ 78 o barril até o final do ano, mas a realidade atual já mostra valores mais baixos, com contratos futuros apontando para novas reduções. "Tenho que admitir que a queda dos preços da energia, dos preços do petróleo, foi uma surpresa", declarou Nagel à CNBC.

Contudo, tanto Nagel quanto Lane alertaram que as restrições de oferta e a necessidade de recompor os estoques de petróleo podem sustentar os preços em níveis relativamente altos. "O choque nos preços da energia que começou com o conflito no Oriente Médio ainda não acabou, continua presente no sistema. Portanto, espero que as taxas de inflação permaneçam significativamente acima da nossa meta", ressaltou Nagel.

Em contrapartida, Pierre Wunsch, presidente do banco central belga, indicou que os argumentos para novos aumentos nas taxas de juros podem ter diminuído. "Talvez precisemos de outro aumento — é claro que é isso que o mercado está precificando — mas não tanto quanto pensávamos em junho", comentou à Bloomberg TV. A persistência de preços elevados do petróleo, no entanto, continua sendo um fator de atenção para as autoridades monetárias europeias na condução da política econômica.