Morre Luís Eulálio Vidigal, ex-presidente da Fiesp e figura da Cobrasma
Luís Eulálio Vidigal, ex-presidente da Fiesp, faleceu aos 87 anos. Ele foi figura central na crise da Cobrasma nos anos 80, marcada por forte emissão de ações e prejuízos.

Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e dirigente da Cobrasma, faleceu nesta semana aos 87 anos, após tratamento para doença renal crônica. Sua trajetória esteve ligada à crise da Cobrasma (Companhia Brasileira de Material Ferroviário) nos anos 1980, um período de instabilidade econômica no Brasil.
Em 1986, enquanto editor do Painel Econômico, foi revelado que a Cobrasma havia alterado drasticamente sua estimativa de resultado para o ano. De um lucro previsto de R$ 50,4 milhões, a empresa passou a projetar um prejuízo de cerca de R$ 66 milhões, valores atualizados. A companhia baseou suas projeções na expectativa de correção de preços de seus produtos, influenciada por informações oficiais e não oficiais do governo, em um cenário de congelamento de preços devido ao Plano Cruzado.
## Crise e Emissão de Ações
A situação financeira da Cobrasma se agravou após a empresa realizar, seis meses antes da divulgação do prejuízo, a maior emissão de ações de sua história. Foram colocadas à venda 25,5 bilhões de ações, amparadas por projeções otimistas e garantias de grandes bancos como Bradesco, Crefisul e BCN. A operação, no entanto, resultou em perdas significativas não apenas para os bancos envolvidos, mas também para 124 instituições financeiras e milhares de pequenos e médios investidores, que viram o valor das ações despencar.
## Diálogo e Acusações
Na época, Luís Eulálio Vidigal, então presidente da Fiesp e dirigente da Cobrasma, manteve contato com o colunista. Diante da crise, os advogados da Cobrasma argumentaram que a empresa foi "engolida, atropelada pelo caos da economia nacional", atribuindo as dificuldades a "desmandos pela orientação vacilante e contraditória que vem sendo imposta à nação".
Em meio à investigação dos fatos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Vidigal chegou a propor um acordo para ser informado previamente sobre quaisquer publicações referentes à Cobrasma, fornecendo seus contatos pessoais. Ele se tornou, posteriormente, uma fonte para a coluna.
## Consequências Legais e Investigação
A Cobrasma entrou com pedido de concordata em 1991. O caso também envolveu desdobramentos legais, com multas aplicadas pela CVM sendo derrubadas em instâncias superiores. O empresário chegou a ser denunciado por crime contra o sistema financeiro nacional, mas a denúncia foi rejeitada. Anos depois, o juiz federal que atuou no caso foi investigado na Operação Anaconda, que apurou a negociação de decisões judiciais.