Montadoras Tradicionais Buscam Kits CKD/SKD no Brasil

Montadoras tradicionais no Brasil, como Renault, Stellantis e GM, exploram montagem de veículos em kits (CKD/SKD) devido à concorrência chinesa e carga tributária. Anfavea teme impactos na indústria nacional.

Montadoras Tradicionais Buscam Kits CKD/SKD no Brasil

O interesse em importar carros em partes, sob os regimes CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down), não se restringe apenas às novas montadoras chinesas que têm chegado ao mercado brasileiro. A crescente concorrência e o peso da tributação no setor automotivo têm levado grupos já estabelecidos, como Renault, Stellantis e General Motors, a avaliarem a adoção dessas modalidades de montagem em suas fábricas no Brasil.

Recentemente, esses conglomerados iniciaram investimentos para montar kits de veículos de marcas como Geely, Leapmotor e Wuling (esta última sob a chancela da Chevrolet) em solo nacional. A estratégia visa contornar custos mais elevados de produção e importação, aproveitando a expertise chinesa na fabricação de componentes, especialmente para veículos eletrificados. Um estudo da consultoria Zag Work apontou que a economia gerada pela integração de fornecedores e pela redução de custos em pesquisa, desenvolvimento, vendas e administração nas áreas de origem dos componentes contribui significativamente para a competitividade chinesa.

## Desafios para a Indústria Nacional

Diante desse cenário, a Anfavea, entidade que representa as montadoras no país, expressa preocupação com a possibilidade de redução de investimentos e cortes de pessoal nas fábricas instaladas no Brasil. A entidade teme que a preferência pela montagem de veículos em kits possa levar ao encolhimento da indústria automotiva nacional. A faixa de preço entre R$ 150 mil e R$ 300 mil, considerada mais rentável e tecnologicamente complexa, tem visto uma queda drástica na escala de produção por empresa e por produto, o que agrava a situação.

Rogelio Golfarb, ex-vice-presidente da Ford na América do Sul e fundador da Zag Work, explica que o Brasil ainda carece de uma cadeia produtiva robusta para tecnologias de carros eletrificados e para o aproveitamento de matérias-primas locais. "Temos os minerais, mas não temos uma política para lidar com esses insumos", afirma. A falta de políticas estruturantes de longo prazo é vista como um entrave para o desenvolvimento do setor.

## Impacto da Reforma Tributária

A definição sobre o futuro da produção nacional de automóveis também passa pela reforma tributária. A inclusão dos veículos no Imposto Seletivo, que substituirá o IPI a partir de 1º de janeiro de 2027, pode ter um peso considerável, superando até mesmo potenciais sistemas de cotas. Atualmente, existe uma isenção do Imposto de Importação para kits de peças de veículos eletrificados, com um teto de US$ 463 milhões, prorrogada recentemente após solicitação da BYD. No entanto, essa medida é considerada "inócua" por especialistas, que defendem a necessidade de políticas mais abrangentes e de longo prazo para o setor automotivo brasileiro.