Minerais Críticos: Brasil Debate Estratégia Pós-Boom Global
Presidente do Simineral-PA defende análise individualizada de minerais críticos para definir estratégia de exportação e agregação de valor no Brasil.

O Brasil se encontra em um momento crucial para definir seu papel nas cadeias globais de mineração, especialmente diante do atual boom de minerais críticos. Anderson Baranov, presidente do Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral-PA), defendeu a necessidade de uma discussão mais madura e segmentada sobre o tema. Segundo ele, o país precisa amadurecer o debate, abordando cada mineral crítico de forma individualizada, em vez de aplicar uma política genérica.
Baranov, que possui vasta experiência no setor, ressaltou que a análise deve considerar a vocação produtiva de cada mineral, o mercado, a capacidade industrial brasileira, a competitividade, a demanda interna e, fundamentalmente, a possibilidade real de agregar valor aos produtos em território nacional. "Quais minerais têm vocação apenas para exportação? Quais vamos agregar valor?", questionou, enfatizando a importância de definir objetivos claros para o país.
## Diferenciação é Chave
A discussão sobre soberania mineral, que ganhou força com o projeto de lei em tramitação no Senado Federal, não deve ser politizada a ponto de ignorar as particularidades de cada cadeia produtiva. Baranov argumenta que nem todo mineral crítico possui o mesmo potencial de industrialização no Brasil, e, portanto, nem todos os projetos devem seguir o mesmo modelo regulatório ou comercial. A proposta é distinguir entre minerais cuja vocação principal seja a exportação de matéria-prima e aqueles onde há oportunidade para processamento, refino, transformação industrial e a produção de componentes de maior valor agregado.
Essa postura surge em um contexto de crescente pressão para que o Brasil amplie sua participação nas etapas mais nobres da cadeia mineral. Apesar de deter reservas significativas de minerais essenciais para baterias, energia renovável, fertilizantes e tecnologias avançadas, o país ainda tem uma participação modesta no beneficiamento avançado, refino e fabricação de componentes.
## Estratégia de Longo Prazo
O projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados visa criar a política nacional de minerais críticos e estratégicos, prevendo instrumentos de incentivo, financiamento e rastreabilidade. No entanto, representantes do setor privado, como Baranov, alertam para a importância de critérios objetivos que evitem soluções padronizadas para cadeias distintas. A preocupação é que regras excessivamente amplas possam criar obstáculos para projetos já viáveis ou sem vocação industrial clara no Brasil.
Para Baranov, o momento atual é uma oportunidade ímpar para construir uma estratégia mineral de longo prazo. Essa estratégia deve delinear onde o Brasil atuará como fornecedor competitivo de matéria-prima e onde buscará competir em etapas mais sofisticadas da cadeia global. A discussão se insere em um cenário de disputa geopolítica por acesso a minerais críticos entre potências mundiais, como Estados Unidos, União Europeia e China, essenciais para a transição energética e a indústria de defesa.
O evento CNN Talks: Nova Era da Mineração reuniu autoridades, empresários e especialistas para debater os rumos da mineração brasileira, visando transformar a vantagem geológica do país em protagonismo econômico, industrial e diplomático, com foco em financiamento, licenciamento ambiental, inovação, sustentabilidade e agregação de valor.